"Advirto, desde já, que a resistência no fornecimento de documentos e a apresentação de declarações de receitas inconsistentes acarretarão a nomeação de observador judicial ou interventor judicial, para garantir a efetividade e a lisura deste processo", diz a decisão.
O Corinthians protocolou petição ao processo, na terça-feira, 24, com detalhes sobre a composição das receitas em questão e entende que está sendo "transparente" com a Justiça. "Assim, verifica-se que os esclarecimentos já haviam sido prestados e juntados aos autos em data anterior à decisão proferida em 25 de março de 2026, circunstância que será oportunamente levada ao conhecimento do Juízo por meio de nova manifestação formal", afirma o clube em nota oficial.
O RCE é um mecanismo jurídico adotado pelo Corinthians para organizar e parcelar cerca de R$ 200 milhões em dívidas cíveis e trabalhistas, concentrando processos em uma única vara judicial. Ele evita bloqueios de contas bancárias, permitindo pagar credores de forma ordenada com receitas do clube, visando reestruturação financeira.
Credores como a Link, agência do empresário André Cury, e a Pix Star, detentora da marca Pixbet - ex-patrocinadora do Corinthians -, pediram a impugnação do plano. A alegação é de "omissões graves de créditos certificados, divergência entre os valores da lista e os efetivamente executados nos juízos de origem, falta de destaque de honorários advocatícios e questionamentos sobre a base de faturamento do Clube."
De acordo com a análise da perícia, realizada pela Laspro Consultores, o Corinthians declarou um total de R$ 64.202.368,75 ao RCE nas receitas referentes a fevereiro de 2026. Em contrapartida, a análise indicou que o clube arrecadou de R$ 213.414.738,29 no período analisado. A diferença nos números é de R$ 149.212.369,37.
Ainda de acordo com o perito, a variação ocorreu porque o Corinthians deixou de levar em consideração os valores referentes a "operações financeiras" (R$ 76.878.105,68), "transferência" (R$ 65.508.053,90) e "negociação de atleta" (R$ 6.826.209,79).
O perito pediu explicações sobre diferença nos valores e determinou que o clube disponibilize os recursos decorrentes de operações de venda de jogadores para a realização de leilão reverso. Observando-se que se ausência do valor não for comprovada, o clube terá de completar o valor que deveria ter sido pago em fevereiro de 2026 no período seguinte.
VEJA A NOTA DO CORINTHIANS NA ÍNTEGRA:
O Sport Club Corinthians Paulista informa que, no âmbito do Regime Centralizado de Execuções (Processo nº 1189761-87.2024.8.26.0100), foi proferida, em 25 de março de 2026 (às 17h57min), decisão judicial que, dentre outros pontos, determinou a intimação do Clube para prestar esclarecimentos acerca de supostas inconsistências relacionadas à declaração de receitas do mês de fevereiro de 2026, com advertência quanto à eventual nomeação de observador judicial ou interventor em caso de resistência ou inconsistências persistentes.
Contudo, é importante esclarecer que, em momento anterior à referida decisão, o Clube já havia apresentado, tempestiva e formalmente e nos autos do processo, todos os esclarecimentos solicitados pela Administração Judicial.
Com efeito, no dia 24 de março de 2026, às 21h41min, o Sport Club Corinthians Paulista protocolou petição nos autos (fls. 10.332/10.339), detalhando a composição das receitas apontadas e esclarecendo, de maneira técnica e fundamentada, as divergências identificadas, incluindo, entre outros pontos, a distinção entre receitas operacionais e não operacionais, movimentações internas entre contas, operações financeiras, antecipações de recebíveis e receitas provenientes de negociação de atletas.
Antes mesmo do protocolo da referida manifestação, o Clube também realizou reunião com a Administração Judicial, oportunidade em que foram prestados esclarecimentos adicionais e reforçado o compromisso com a transparência e a cooperação no âmbito do Regime Centralizado de Execuções.
Assim, verifica-se que os esclarecimentos já haviam sido prestados e juntados aos autos em data anterior à decisão proferida em 25 de março de 2026, circunstância que será oportunamente levada ao conhecimento do Juízo por meio de nova manifestação formal.
O Sport Club Corinthians Paulista reafirma que sempre atuou de forma diligente, transparente e colaborativa no âmbito do Regime Centralizado de Execuções, mantendo diálogo constante com a Administração Judicial e fornecendo toda a documentação necessária sempre que solicitado.
O clube lamenta o desencontro de informações e repudia o alarmismo e a campanha de descrédito promovida por influenciadores digitais que desconsideram a seriedade e a relevância de um trabalho fundamental para a reestruturação financeira da instituição, prejudicando a comunicação correta entre instituição e torcida.
O Corinthians reitera, ainda, que permanece à inteira disposição do Juízo, da Administração Judicial e dos demais interessados para prestar quaisquer esclarecimentos adicionais que eventualmente se façam necessários, reafirmando seu compromisso com a regularidade, transparência e efetividade do processo.
(Com Agência Estado)
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