Em meio aos desafios de administrar uma cidade de pouco mais de 100 mil habitantes, padre Osvaldo dirige o Catanduva FC, clube que fundou em 2017 a partir de um projeto social que mantinha com 300 garotos desde 2011.
Em um aparador em seu amplo gabinete na prefeitura da cidade, imagens de Nossa Senhora da Aparecida e outros santos dividem espaço com troféus, copos do Palmeiras e outros itens futebolísticos, o que demonstra quais são as prioridades de Osvaldo, um sacerdote que exerce o ofício há 23 anos e é apaixonado por futebol. O religioso acorda cedo, reza todos os dias missa na capela Padre Albino e depois cumpre agenda como gestor da cidade. Despacha de sua sala e recebe dezenas de visitas todos os dias, mas não esquece dos assuntos ligados ao Catanduva FC. "Estou a par de tudo que acontece", conta Osvaldo ao Estadão.
O Catanduva FC, cujo mascote é um santo, está inscrito na Federação Paulista de Futebol (FPF) e disputa a Segundona, equivalente à quarta divisão estadual, um campeonato pródigo em histórias peculiares envolvendo pequenos times. Neste ano, a equipe do padre sonha em conseguir seu primeiro acesso, ainda que o seu fundador e os dirigentes digam que o objetivo principal é dar oportunidade para jovens talentos, desde a base, e revelar atletas.
"Eu penso em fazer um time bom, de qualidade, para poder revelar atletas e ter recursos no futuro", diz. Segundo ele, o clube nasceu com caráter social. "A intenção foi fazer com que os jovens da região pudessem mudar de vida por meio do futebol", explica.
O clube tem como presidente Ernesto Pedro de Oliveira Rosa, irmão de Osvaldo. Embora seja fundado e administrado por dois párocos, a agremiação não proíbe manifestações religiosas nem apresenta uma cartilha nesse sentido para os jogadores seguirem. No entanto, de acordo com Osvaldo, o clube existe também para "acolher e semear valores humanos e cristãos".
O cartola investiu cerca de R$ 1 milhão entre gastos com as categorias de base e a montagem do elenco profissional. "Se quiser montar um time para subir, preciso gastar R$ 2 milhões", avisa, ciente de que ascender de divisão é um sonho distante para o time. O plano é desenvolver as categorias de base e jogar a Copa São Paulo de Futebol Júnior em 2023. No horizonte está o pensamento de formar jovens talentosos para lucrar com eles no futuro.
A agremiação sobrevive com dinheiro do próprio padre e de patrocinadores. Mas o que é mais difícil: administrar a cidade do interior paulista ou o clube? "Na administração pública, os problemas são maiores. No time, o mais difícil é arranjar recursos. Fazemos parcerias, temos patrocinadores. A gente tem que se virar", observa o padre-cartola-prefeito. Ele entende que o sucesso na gestão, seja em qual área for, passa por "princípios, metas e uma boa equipe".
O "Santo" estreia na segunda divisão paulista dia 22 de Abril, às 20h, contra o Penapolense.
ELEITO COM APOIO DE DORIA - Padre Osvaldo foi eleito com apoio de um grupo de políticos ligado ao governador João Doria. O padre recebeu do PSDB o convite para se filiar ao partido e disputar as eleições em Catanduva. A ideia para lançar o sacerdote na política partiu de Marco Vinholi, presidente do PSDB-SB, filho do ex-prefeito da cidade, Geraldo Vinholi, e secretário de Desenvolvimento Regional de São Paulo. Só aceitou porque, segundo ele, o bispo Dom Valdir Mamede lhe convenceu e sua candidatura era bem avaliada pela população.
"Nunca tive pretensão de entrar na política. Foi um contexto. O bispo me chamou e apresentou uma situação. Me disse: Catanduva está em descrédito político muito grande. Está com problemas sociais. Pense no bem do povo", afirma o prefeito, que diz estar "destravando" o município e trabalhando para levantar a autoestima do catanduvense. Na campanha eleitoral, ele tentou dissociar sua imagem de Doria e da família Vinholi, mas mudou a postura assim que foi eleito.
O tucano topou o desafio de virar chefe do Executivo municipal também porque não teve de abrir mão das atividades como padre. "Foi um chamado por meio da igreja. Se tivesse que largar a igreja eu não me candidataria". Insatisfeito com a mentalidade política no País, Osvaldo não sabe se tentará a reeleição em 2024. "A gente consegue ter mudanças pontuais. Há bons deputados, governadores, prefeitos. Mas o sistema é complicado. O sistema é doentio", opina.
Na semana passada, Doria visitou Catanduva pela primeira vez durante a gestão de Osvaldo e se encontrou com o prefeito. O governador foi ao município do interior para entregar uma unidade do Programa Creche Escola e autorizar repasse de R$ 13,5 milhões para o Hospital do Câncer da cidade.
(Com Agência Estado)
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