Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 oscilou de 13,616%, no ajuste de sexta-feira, a 13,615%. O DI para janeiro de 2029 aumentou a 14,175%, vindo de 14,153% no ajuste. O DI para janeiro de 2031 ficou praticamente estável, ao passar de 14,481% a 14,480%.
No saldo do mês de agosto, marcado por dados internos de inflação e atividade que mostraram arrefecimento, disparada de títulos longos nos EUA e um discurso mais duro do presidente do Fed, Kevin Warsh, a curva a termo ganhou inclinação, com recuo de cerca de 20 pontos-base da ponta curta, ao passo que o miolo e a ponta longa da curva subiram 5 pontos-base e 10 pontos-base, respectivamente.
Para Gabriel Mollo, analista de investimentos da Daycoval Corretora, enquanto a desaceleração do mercado de trabalho e da atividade reforça as apostas em um novo corte de 25 pontos-base da Selic em setembro, o tom hawkish de Warsh aumenta a pressão sobre os juros americanos e limita o espaço para uma extensão mais prolongada do ciclo de cortes no Brasil.
O último pregão do mês foi marcado por dois movimentos distintos no mercado de juros futuros, em linha com a volatilidade típica de períodos eleitorais. Até o início da tarde, as taxas ignoraram o avanço do petróleo e o aumento dos rendimentos dos Treasuries e firmaram leve queda, com suporte de pesquisas que reforçaram a percepção de uma disputa presidencial mais acirrada entre o incumbente e o senador Flávio Bolsonaro (PL) - que, na visão do mercado, tem maior comprometimento com pautas fiscais.
Por volta das 15h, porém, o alívio saiu de cena, coincidindo com a publicação da notícia de que o TSE suspendeu a realização de propaganda eleitoral na internet do candidato Renan Santos, além de impor uma série de restrições, como o direito de participar de debates em rádios, televisão, podcasts ou outros meios.
Profissionais de renda fixa ouvidos pela Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) não cravam 100% que este foi o gatilho para a inversão da curva, mas avaliam que a notícia, por embaralhar ainda mais o quadro eleitoral e trazer insegurança jurídica, pode ter sido lida como algo negativo.
Head de renda fixa da Suno Research, Guilherme Almeida afirma que, em ambas partes do pregão, prevaleceu o cenário doméstico, a despeito da primeira agressão dos EUA ao Irã em um mês no último fim de semana. Se, ao longo da manhã, as taxas tiveram evolução benigna devido à estabilidade nas estimativas de inflação do Focus e, também, às pesquisas eleitorais, na parte da tarde, ingredientes mais negativos podem ter pesado sobre a curva, disse.
Nesta segunda, duas novas pesquisas mostraram tendência similar. No levantamento AtlasIntel/Bloomberg, a vantagem de Lula em relação a Flávio em eventual segundo turno caiu de 6 pontos para 4,5 pontos porcentuais. Já a enquete BTG/Nexus indica pleito ainda mais apertado, com apenas um ponto de diferença entre os dois candidatos (45% para o senador e 46% para o petista). As duas pesquisas também trouxeram crescimento relevante do candidato Augusto Cury (Avante).
"A leitura do cenário eleitoral foi benigna no sentido de promover um fechamento da curva de juros. Mas essa notícia sobre o Renan traz insegurança jurídica. Também há a percepção de que isso possa beneficiar a candidatura dele. É muito incerto", destacou Almeida.
Na mesma linha, um gestor de renda fixa de uma grande asset afirma, em caráter reservado, que a notícia pode não ter relação direta com o quadro eleitoral, mas pode ter trazido um sentimento maior incerteza. "Quem pode ser amanhã?", questionou.
(Com Agência Estado)
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