Trata-se da décima fase da Operação Compliance Zero, que agora mira a atuação de uma organização criminosa para intimidar jornalistas, monitorar ilicitamente pessoas ligadas a autoridades públicas e interferir no andamento da investigação.
O próprio Thiago Miranda havia confirmado, em depoimento à Polícia Federal, que intermediou a contratação de influenciadores para defender o Banco Master. Ele, entretanto, negou que a contratação envolvesse ordens para ataques aos diretores do BC.
A PF, porém, já colheu indícios de que Vorcaro também encomendou a Thiago Miranda ações contra autoridades públicas e também para intimidar jornalistas que publicavam notícias desfavoráveis ao Banco Master.
De acordo com a investigação, um dos objetivos da ofensiva contra o BC e contra a imprensa era tentar criar um clima favorável na opinião pública para que o Tribunal de Contas da União (TCU) anulasse a liquidação do Master.
Na decisão que autorizou a operação, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça menciona que foram identificadas ações de Thiago Miranda não apenas na contratação de influenciadores, mas também para coagir adversários de Vorcaro, intimidar jornalistas e levantar informações sigilosas para o dono do Banco Master. Para a PF, essas ações tornaram mais grave a conduta do publicitário e justificaram a operação deflagrada nesta quinta.
Os diálogos sobre essas ações de Thiago Miranda foram divulgados inicialmente em reportagens do site Fatos Online. Um dos diálogos aborda a preocupação de Vorcaro com uma jornalista que publicava matérias críticas sobre o Banco Master. Nas conversas, Vorcaro solicitava a Thiago Miranda o "constante levantamento de informações de natureza pessoal, profissional e patrimonial da jornalista, aparentemente com a finalidade de encontrar elementos potencialmente desabonadores ou sensíveis relacionado", segundo a PF.
A investigação aponta que Thiago Miranda atuou para obter até mesmo informações bancárias da jornalista, que são sigilosas.
"À luz de todo esse quadro fático é que a autoridade policial conclui estarem presentes fortes elementos indicativos de condutas perpetradas por THIAGO MIRANDA, DANIEL VORCARO e outros integrantes do grupo criminoso, direcionadas a (i) proteger o núcleo dirigente da organização criminosa; (ii) manipular a opinião pública; e (iii) coagir, intimidar e violar dados sigilosos de a jornalistas, b de concorrentes e c pessoas ligadas ao Presidente do Banco Central", escreveu o ministro.
(Com Agência Estado)
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