Ainda reforça a elevação do principal indicador da B3 o minério de ferro, que fechou com valorização de 0,65% em Dalian, na China. Nos índices de ações do Ocidente, as altas são firmes - exceção da bolsa de Londres (-0,33%) -, enquanto os rendimentos dos Treasuries recuam, respingando nos juros futuros e no dólar em relação ao real.
"Sobe, sim, devido ao acordo, mas alguns ativos avançam ainda mais que o Ibovespa. A guerra foi o que levou o índice para baixo. Então, avança", diz Patrick Buss, especialista de renda variável da Manchester Investimentos Patrick. Conforme relembra, o conflito geopolítico elevou as cotações do petróleo, puxando as ações do setor para cima e também a inflação, "diminuindo mais a expectativa de queda da Selic."
Em cerca de meia hora de negociação, o Ibovespa saltou quase 3.100 pontos entre a máxima (174.228,27 pontos; alta de 1,81%) e a mínima estável em 171.135,53 pontos, quase a mesma marca da abertura (171.139,11 pontos). De 79 ações da carteira, apenas algumas recuam, sobretudo aquelas ligada ao petróleo.
O acordo pode aliviar um pouco as pressões sobre a política monetária à frente, não em relação às decisões desta semana como no Brasil, EUA, Inglaterra, Japão, entre outros.
"O alívio externo chega em um momento delicado para a política monetária", escreve em relatório Gabriel Mollo, analista de investimentos da Daycoval Corretora. Ele cita o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de maio, que desacelerou, mas ficou ligeiramente acima das expectativas. "Reforçou a percepção de que os núcleos de inflação continuam pressionados, enquanto a atividade econômica permanece resiliente."
Segundo Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, o acordo de paz entre EUA e Irã é o catalisador que o mercado vinha "precificando há semanas", com reação imediata de queda do petróleo. Conforme ressalta, o acordo é real, mas a execução é gradual. "Em mercado, o risco de comprar o boato e vender o fato está sempre posto. Para o investidor, a leitura é simples: momentos como este reforçam o valor de uma carteira diversificada e de horizonte definido, em vez de reagir a cada manchete
Ainda fica no foco pesquisa BTG/Nexus divulgada mais cedo. O levantamento mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 9 pontos de vantagem em relação ao senador Flávio Bolsonaro (PL) nas intenções de voto no primeiro turno para a Presidência da República.
Conforme Buss, da Manchester, se a guerra se resolver, o Ibovespa teria espaço para recuperar a marca de até 195 mil ou quem sabe ir aos 200 mil pontos. Se isso acontecer, diz, ficarão mais claros os efeitos do conflito na evolução do índice. "Agora, se voltar para a faixa dos 180 mil pontos, por exemplo, o 'fator eleição' pode ser o motivo", diz.
Ontem, EUA e Irã chegaram a um acordo de cessar-fogo. A trégua abre caminho para novas negociações que podem, em última instância, encerrar definitivamente a guerra que já dura três meses e meio, matou milhares de pessoas e abalou a economia global.
Ainda sem a influência do acordo entre os dois países, hoje o boletim Focus trouxe novas alterações para cima nas estimativas para a inflação brasileira e para a taxa Selic.
A projeção mediana para o IPCA de 2026, por exemplo, subiu de 5,11% para 5,30%, com a expectativa de Selic elevada de 13,50% para 13,75% ao ano.
Para Carlos Lopes, economista do BV, o fim dos conflitos EUA-Irã deve dar alguma confiança para o Banco Central diminui a Selic nesta semana, como era a intenção original. "Mas mesmo com o fim da guerra, acho que será necessário, após o corte dessa semana, uma pausa para avaliar os efeitos defasados do choque sobre uma economia que ainda está aquecida e superestimulada por gasto público", diz.
Na sexta-feira, o Ibovespa fechou em baixa de 0,21%, aos 171.132,66 pontos, subindo 1,25% na semana, após oito semanas seguidas de queda.
Às 11h21 desta segunda, o Ibovespa subia 1,175, aos 173.136,96 pontos. Petrobrás recuava entre 3,86% (PN) e 4,09% (ON). Prio liderava o grupo das quedas (-4,68%). Vale subia 3,51%. Já Embraer era a que a mais subia (6,31%).
(Com Agência Estado)
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