ASSISTA AO HNT ENTREVISTA COM JEFERSON BERTOLOTI
O idealizador do Prêmio Jejé de Oyá, Jeferson Bertoloti, disse com exclusividade ao HNT Entrevista que a próxima edição em 2027 contará com dois homenageados de nível nacional. Nos anos anteriores, foram reconhecidas personalidades negras que atuam em Mato Grosso na cultura, comunicação, ciência, educação, literatura, gastronomia, estética negra, esporte, empreendedorismo e impacto social. Segundo Bertolotti, a proposta é ampliar o alcance da iniciativa.
Vamos começar a erguer o prêmio para fora de Mato Grosso
"Nós vamos começar a erguer o Prêmio Jejé de Oyá para fora de Mato Grosso. É um prêmio grande e um projeto antirracista", destacou.
Na quinta edição do prêmio, a organização optou por comemorar a trajetória do Jejé de Oya, convidando os destaques para discutir as contribuições das lideranças negras ao estado. Como parte da festa, foi entregue uma revista que ganhou selo da Biblioteca Nacional, abrindo a janela para um novo desafio: editar um livro sobre a premiação.
ESCOLHA DE JEJÉ DE OYÁ
Bertoloti também explicou a escolha de Jejé. Segundo ele, a decisão surgiu da intenção de valorizar alguém capaz de gerar identificação entre os mato-grossenses. Jejé, nascido em Rosário do Oeste (104 km da Capital), cresceu em Cuiabá e se tornou popular pelo trânsito na boemia.
Carregar o nome de Jejé deixa a história dele acesa
Mas sua ascensão ao estrelado encontrou obstáculos e custou o preço de muita resiliência. Foi enfrentando o preconceito pela personalidade forte, negritude e orientação sexual que ganhou fama. Além da irreverência e humor único, Jejé também é lembrado pela criação de figurinhos carnavalescos.
Após o seu falecimento em 2016, foi escolhido como patrono do colunismo social em MT. Para Bertolotti, a trajetória de Jejé representa uma história de enfrentamento ao preconceito e de conquista de espaço na sociedade.
"A figura dele, a pessoa do Jejé, que na década de 1950 enfrentava uma sociedade e sabia quem ele era, o que o sustentava, e, assim mesmo, fez com que conquistasse toda a cuiabania", afirmou.
Manter Jejé como o rosto na premiação contribui diretamente para preservar sua memória entre as novas gerações. Segundo Jeferson, os mais jovens, frequentemente, perguntam quem ele foi, acusando o desconhecimento sobre a trajetória do patrono.
“O prêmio, além de exaltar as personalidades atuais, quando carrega o nome de Jejé, também é uma referência de pesquisa. Carregar o nome de Jejé significa deixar a história dele ainda acesa. É uma atitude de resistência, mais do que tudo”, destacou.
É uma atitude de resistência, mais do que tudo
O idealizador ainda destacou que a premiação procura proporcionar aos homenageados uma experiência de reconhecimento à altura de grandes cerimônias. A sofisticação da cerimônia e a forma como os homenageados são recebidos têm relação com a personalidade do próprio Jejé.
“Fazer com que o homem e a mulher negra se sintam honrados, se sintam numa grande premiação internacional, é a cara do Jejé”, concluiu Jeferson.
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