Cidades Quinta-feira, 18 de Agosto de 2011, 12:36 - A | A

Quinta-feira, 18 de Agosto de 2011, 12h:36 - A | A

SEM ACORDO

Greve paralisa o setor privado da saúde na próxima semana

Com a crise na rede privada de saúde, rescisões no setor chegam a 15 por dia

Mayke Toscano/Hipernotícias

Trabalhadores do setor de saíde da rede privada alegam desânimo no desempenho das funções e pedem aumento nos salários
Mais uma greve será deflagrada na próxima segunda-feira (22) por técnicos, auxiliares de enfermagem e enfermeiros da rede privada de saúde da região metropolitana de Cuiabá. Funcionários de outras atividades, que também trabalham no setor, decidem se entram em greve em assembleia realizada no final da tarde desta sexta-feira (19).
 
Na região metropolitana existem 5 mil trabalhadores na área da enfermagem, e o número de empregados que podem paralisar chega a 6 mil. 
 
De acordo com a presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Enfermagem (Sinpen), Dejamir Soares, 10 hospitais particulares e uma clínica de tratamento renal serão atingidos, o que agrava situação já que pacientes necessitam da hemodiálise.
 
Os hospitais que sofrerão com a paralisação são Bom Jesus, Só Trauma, Geral, Santa Rosa, Jardim Cuiabá, do Câncer, Santa Casa, Femina, Amecor e a Clínica de Tratamento Renal localizada ao lado do Hospital Geral. Serão mantidos 30% dos profissionais com a lei obriga e 50% do efeito em Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) e centros cirúrgicos.

CRISE
 
Toda a crise acontece porque os trabalhadores da rede de saúde privada da cidade de Cuiabá não chegaram a acordo com a classe patronal.
 
O Sindicato dos Enfermeiros pediu 9% de reajuste e os donos insistem que só podem oferecer o ajuste. De acordo com Dejamir Soares, a proposta dos donos de hospitais foi oferecer aumento de R$ 56,00 para técnicos; R$48,00 para auxiliares e R$ 113,00 para enfermeiros.
 
“O Santa Rosa (hospital) vai trocar pela segunda vez em menos de dois anos o piso por um de taco que custa mais de R$ 80,00 o metro quadrado. Eles têm dinheiro e alegam que não”, argumenta Soares.
 Existem 14 mil profissionais da enfermagem em Mato Grosso, cerca de 70% são técnicos, 15% enfermeiros e 5% auxiliares.
 
MANIFESTAÇÃO
 
O sindicato promete unir mais de 1,6 mil trabalhadores em protesto que será realizado na segunda-feira (22). A mobilização será feita na frente dos hospitais e no final da tarde seguem para o Santa Rosa, onde farão um protesto em massa.
 
O indicativo de greve já foi deliberado pelos empregados do setor e o argumento dos trabalhadores é de que a classe patronal não está investindo em material humano e por isso está gerando grande insatisfação entre os profissionais.
 
De acordo com a presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Mato Grosso (Sessamt), Kátia Sampaio da Silva, a baixa estima dos profissionais já repercute na infelicidade dentro do trabalho.
 
“O nosso Sindicato registra 15 rescisões por dia em Cuiabá, reflexo da insatisfação dentro dos funcionários. A falta de ânimo tanto dos enfermeiros quanto da parte operacional, também reflete nos pacientes e em todos os ângulos, não propositalmente, mas como você vai trabalhar se no final do mês o seu salário não dá para pagar as suas contas?”, indaga a presidente.
 
De acordo com Kátia Sampaio, alguns funcionários (guardas, copeiras, auxiliares administrativos) quando recebem seus salários com os descontos do INSS, vale transporte e FGTS não chegam a um salário mínimo. “Alguns recebem R$ 542,00 líquido. Esse salário não dá para ele fazer um curso, uma faculdade, se especializar, mal dá para eles pagarem as contas básicas”, argumenta.
 
O Sessamt, que representa 6 mil trabalhadores, reivindica o salário líquido de R$ 600,00 para os que hoje tem vencimento abaixo do salário mínimo, o Sindicato dos Trabalhadores em Enfermagem (Sinpen) querem o piso para os técnicos de R$ 800,00.
 
A segunda audiência mediada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) foi realizada na tarde de terça-feira (16), onde os donos de hospitais alegam que as propostas reivindicadas pelos Sindicatos dos Enfermeiros e dos Empregados não estão dentro das possibilidades financeiras.
 
O Sindicato Patronal pediu a arbitragem do processo, ou seja, preferem decidir na Justiça do Trabalho o impasse que assola o setor. Em contraposição, os trabalhadores querem o diálogo e esperam que nestas 72 horas que antecede a possível deflagração de uma greve os donos dos hospitais entrem em contato e cheguem a um acordo.
 
Os procuradores do Trabalho Marco Aurélio Estraioto e Thiago Gurjão Ribeiro do MPT advertiram os trabalhadores que, caso a greve seja deflagrada, as categorias devem continuar prestando os serviços indispensáveis às necessidades inadiáveis da coletividade. 

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