O cacique Raoni Metuktire, de 94 anos, uma das vozes mais proeminentes na defesa dos povos indígenas e da Amazônia, teve sua agenda cancelada e foi internado no Hospital Dois Pinheiros, em Sinop, nesta quinta-feira (7).
O líder do povo Mebêngôkre (Kayapó) apresentou fortes dores abdominais que mobilizaram sua equipe e familiares, mas, após uma série de avaliações médicas, o quadro foi considerado estável. Segundo o boletim médico, exames laboratoriais e de imagem descartaram problemas cardíacos, que eram a preocupação inicial.
O diagnóstico confirmado pela equipe hospitalar aponta para uma hérnia diafragmática traumática crônica, uma condição antiga resultante de um acidente sofrido por Raoni há mais de 20 anos. De acordo com o Instituto Raoni, devido à idade avançada do cacique, uma intervenção cirúrgica não é recomendada pelos especialistas.
A orientação atual é manter o tratamento clínico para controle da dor e um monitoramento constante, uma vez que o deslocamento da hérnia pode pressionar outros órgãos e gerar o desconforto que levou à internação.
A trajetória de Raoni é marcada por uma luta incansável que ganhou projeção mundial a partir da década de 1950, quando estabeleceu contato com os irmãos Villas-Bôas. Reconhecido internacionalmente, ele foi tema de documentário indicado ao Oscar em 1978 e consolidou parcerias históricas, como a amizade com o cantor Sting em 1987, para denunciar o desmatamento.
Sua relevância política no Brasil é incontestável, tendo sido protagonista na Constituinte de 1988 e, mais recentemente, em 2023, quando participou do ato simbólico de entrega da faixa presidencial na posse do governo Lula.
O histórico de saúde do cacique tem sido acompanhado com atenção nos últimos anos, especialmente após episódios críticos em 2020. Naquele período, Raoni enfrentou complicações gastrointestinais, desidratação e uma pneumonia, além de um quadro depressivo decorrente da perda de sua esposa, Bekwyjkà Metuktire.
Apesar desses desafios, o líder indígena tem demonstrado uma resiliência notável, mantendo-se ativo na diplomacia ambiental e na proteção das terras indígenas, mesmo diante das perseguições políticas sofridas em anos anteriores.
O Instituto Raoni emitiu uma nota pedindo respeito e sensibilidade durante o período de recuperação, destacando a necessidade de tranquilidade para que o cacique receba os cuidados necessários. Até o momento, o hospital informou que o paciente apresentou boa resposta ao tratamento clínico e aguarda apenas a organização logística para retornar ao seu domicílio no Parque Indígena do Xingu.
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