O movimento ocorreu em um mês de avanço dos principais indicadores de inflação. Em setembro, o IPCA subiu 0,82% e o IGP-M avançou 1,57%. Já os medicamentos e produtos farmacêuticos no varejo variaram 0,02%, segundo o IBGE.
Apesar da alta do IPM-H, oito dos doze grupos terapêuticos monitorados registraram queda de preços. O avanço do índice agregado foi influenciado pela combinação entre magnitude das variações e peso de cada grupo na cesta, com destaque para agentes antineoplásicos, 0,52% e imunoterápicos, vacinas e antialérgicos, com alta de 0,22%. Também subiram sangue e órgãos hematopoiéticos, numa variação de 0,21% e aparelho digestivo e metabolismo, com 0,15%. A composição do resultado indica que a alta não foi generalizada.
O diretor de Estratégia e Inteligência de Mercado da Bionexo Tasy, Herbert Cepêra, afirma que quedas em mais categorias não significam, necessariamente, redução uniforme dos custos. "Medicamentos de maior peso podem influenciar o orçamento destinado a determinadas terapias, exigindo atenção ao planejamento de compras, às negociações com fornecedores e à distribuição dos recursos", diz.
Entre os grupos com recuo em setembro, os maiores foram em aparelho respiratório, 1,70%; preparados hormonais, 1,63% e anti-infecciosos gerais para uso sistêmico, com redução de 1,41%. Também caíram sistema musculoesquelético, em 0,73%; aparelho cardiovascular, 0,34%; sistema nervoso, 0,33%; órgãos sensitivos, 0,11% e aparelho geniturinário, 0,03%.
Para Bruno Oliva, economista e pesquisador da Fipe, setembro destoou do histórico: entre 2015 e 2025, a variação média do mês foi de queda de 0,53%. Segundo ele, "a alta não foi disseminada", refletindo diferenças de magnitudes e pesos, com destaque para antineoplásicos e imunoterápicos, vacinas e antialérgicos.
Oliva ressalta que o contraste com IPCA, IGP-M e o grupo de produtos farmacêuticos do IPCA deve ser visto como contexto, já que os índices medem cestas e mercados distintos.
Por princípios ativos, contribuíram mais para a alta do IPM-H em setembro: adalimumabe, carfilzomibe, abemaciclibe, bevacizumabe e enzalutamida. No sentido oposto, influenciaram a redução: cloreto de sódio, lenalidomida, triptorrelina, claritromicina e sevoflurano.
Apesar da alta mensal, o IPM-H segue negativo em prazos mais longos, com queda de 0,68% no acumulado de 2026 e de 2,32% em 12 meses.
(Com Agência Estado)
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