A prisão preventiva não tem prazo e pode ser mantida enquanto as autoridades judiciárias julgarem necessário. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Estado, as investigações prosseguem para apurar as circunstâncias e eventuais responsabilidades.
Os três homens, de 27, 32 e 42 anos, respectivamente, foram presos em flagrante no sábado (13) e indiciados pela Polícia Civil pelo crime de homicídio com dolo eventual - quando não há intenção direta de matar, mas se assume o risco.
Além deles, outros dois homens e uma mulher constam no boletim de ocorrência como investigados. Eles foram ouvidos pela Polícia e liberados em seguida pois, de acordo com o registro, inicialmente não há indícios de que eles participaram diretamente dos fatos que resultaram na morte da jovem.
A corda, que deveria ser presa ao corpo de Maria Eduarda, foi esquecida no chão. Em vídeos gravados por quem acompanhava o salto e publicados nas redes sociais, é possível ver três homens carregando a jovem.
Depois que ela é erguida, um deles permanece atrás, observando, enquanto outros dois continuam por uma estrutura metálica. A corda estava enrolada no chão, atrás deles. Quando Maria Eduarda é arremessada, as pessoas que aguardavam o salto percebem a falta do equipamento e se desesperam. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e constatou parada cardiorrespiratória e óbito no local.
A jovem chegou a publicar uma sequência de stories na manhã deste sábado, 13, no Instagram nos quais mostrou pulseiras de identificação e o local da atividade. Ainda de acordo com o boletim de ocorrência, Maria Eduarda portava uma câmera acoplada no corpo para filmar o salto. Os policiais realizaram buscas no local, mas não conseguiram recuperar o equipamento.
Atividade era feita por empresas privadas
Os instrutores que aparecem nas imagens usam camisas com os nomes das empresas Entre Cordas e Ih Voei. As contas no Instagram de ambas não estão mais disponíveis. Juntas, tinham cerca de 100 mil seguidores.
Os saltos, inclusive com crianças, eram registrados e compartilhados nas redes sociais. Em dezembro de 2025, o salto com a Entre Cordas custava R$ 130.
Prefeitura acusa governo federal de omissão
A prefeitura de Limeira afirmou que vai processar o governo federal por omissão. Em nota, a gestão municipal diz que vinha adotando medidas administrativas e cobrando providências de órgãos federais desde o início de 2025. Por meio da Câmara Municipal, o município afirma que encaminhou ofícios cobrando medidas de segurança.
No comunicado, a prefeitura diz que a tragédia "torna insustentável e inaceitável a continuidade dessa omissão". A prefeitura afirma que garantiu apoio à Polícia Civil no curso das investigações e se solidarizou com os familiares e amigos da vítima.
Ao Estadão, a Secretaria de Patrimônio da União (SPU), do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), afirmou que a ponte "pertencia a trecho não implantado do ramal da RFFSA entre Limeira e Cordeirópolis, no interior de propriedades particulares" e que "a transferência patrimonial para a superintendência da SPU de São Paulo foi finalizada em março de 2026".
O órgão ainda disse que está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.
(Com Agência Estado)
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