O petista fazia suas considerações finais quando o senador movimentou-se para trás dele.
As regras do encontro permitiam a livre circulação dos candidatos pelo espaço, mas, desde o primeiro bloco, a equipe de Lula acusava Flávio Bolsonaro de se aproximar demais do presidente, invadindo seu espaço com a intenção de atrapalhá-lo nas respostas.
A mediadora Adriana Araújo pediu a Flávio Bolsonaro que deixasse Lula fazer as considerações finais sem se aproximar dele, mas precisou elevar a voz para se sobressair às manifestações do público.
Da plateia, a reação mais enérgica do lado do petista vinha do marqueteiro Sidônio Palmeira, que se queixava de Flávio Bolsonaro estar invadindo o espaço reservado a Lula. O assessor de Lula discutiu com funcionários da organização e, nos intervalos, aproximava-se do presidente para instrui-lo sobre onde se posicionar.
Do lado de Flávio Bolsonaro, o deputado federal eleito Lucas Pavanato (SP) elevou a voz pedindo a expulsão de Sidônio. Funcionários da organização precisaram intervir no embate.
A movimentação de Flávio Bolsonaro remete a uma estratégia utilizada por Donald Trump em 2016, quando concorreu à Presidência dos Estados Unidos contra Hillary Clinton. Durante a campanha, a candidata do Partido Democrata também se queixou de aproximações indevidas do concorrente durante os debates na televisão.
No livro What Happened, a ex-secretária de Estado relatou ter sentido "calafrios" durante o segundo debate contra o republicano, quando, segundo ela, Trump passava por suas costas respirando com força sobre seu pescoço. "Donald Trump estava ali, pairando atrás de mim. Dois dias antes, o mundo o ouvira gabar-se de apalpar mulheres", escreveu a ex-primeira-dama dos Estados Unidos.
(Com Agência Estado)
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