Sexta-Feira, 31 de Julho de 2020, 08h:59

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Thammy é pai sim

Por: LUANA VALENTIM

Reprodução

Luana Valentim

Diante de toda a polêmica criticando a campanha de Dia dos Pais feita pela Natura na qual o influencer digital Thammy Miranda protagoniza a cena com sua família, me senti na obrigação de me manifestar, uma vez que trabalho com sexualidade. A ‘confusão’, se assim posso chamar, começou pelo fato de Thammy estar representando um pai na propaganda.

Diversas pessoas começaram a atacar a marca, sob a alegação de que o influencer não é homem, sendo assim não pode representar os pais. Triste essa situação de puro preconceito. O alento é saber que também há diversos defensores de Thammy. Mas afinal, ele é ou não pai?

Parece que o gênero tradicional, como assim costumam pontuar, é mais importante que os valores paternais em si. O que comanda é o órgão genital que uma pessoa nasce? Pois bem, acredito que o amor que uma criança recebe, deve ser mais importante do que qualquer tradicionalidade. Sei que é difícil aceitar algo novo, mas não cabe a nós determinar a vida alheia, quem somos nós para impor algo para o outro?

Não aceitar o gênero que uma pessoa se identifica é direito de cada um, mas é dever de todos respeitá-los. A Natura, ao convidar Thammy, pensou apenas na representatividade, uma vez que casais homoafetivos tem feito a alegria de muitas crianças ao darem um lar para elas.

Em 2017, a 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça reconheceu, por unanimidade, que casais gays têm o direito de adotar crianças. No Brasil ainda não há um número de quantas crianças foram adotadas por casais homoafetivos, mas uma pesquisa realizada pelo Williams Institute, dos Estados Unidos, revelou que 114 mil dos 700 mil casai gays que vivem juntos, têm filhos no qual 68% são biológicos e 21,4% são adotivos.

No caso de Thammy, a sua esposa Andressa Ferreira fez uma inseminação artificial e assim a família pôde estar completa com a chegada do pequeno Bento. O influencer, que nasceu com o corpo de mulher, se identifica como homem e já fez diversas mudanças visíveis em seu corpo, é pai de Bento e nessa campanha representa diversos outros pais LGBTQI+.

O fato de Thammy estar representando os homoafetivos, não descredibiliza os casais tradicionais heteroafetivos, nem tampouco desconsidera o homem como pai, apenas mostra que há outras vertentes e outras formas de se formar uma família, pois o que importa é o amor que será dedicado às crianças. Afinal, não é uma genitália que faz um homem, mas suas atitudes.

Até porque muitos homens héteros não podem ter filhos por serem estéreis e optam por adoção ou inseminação, ou seja, o método escolhido para se tornar pai não diferencia dos homoafetivos. Obviamente que todos sabemos que dois homens ou duas mulheres não reproduzem, mas há diversas formas de ser pai. Não precisa ser necessariamente pelo método tradicional, por meio do sexo. Afinal a homenagem, no caso, é sobre Dia dos Pais e não Dia do Homem.

 

(*) LUANA VALENTIM é jornalista formada pela Unic, tem 26 anos, é orientadora sexual, terapeuta tântrica e youtuber.

 

 

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