Empreendedor Quinta-feira, 18 de Agosto de 2011, 17:30 - A | A

Quinta-feira, 18 de Agosto de 2011, 17h:30 - A | A

CASE DE SUCESSO

Franquia de O Boticário em Cuiabá tem DNA de respeito ao cliente

Empresários ousaram desde quando resolveram aderir ao sistema que, segundo eles, é melhor na visão empresarial

KARINE MIRANDA

Com uma visão a frente do seu tempo, Jorge Luiz de Matos é a demonstração de como empreender é possível por meio da percepção da necessidade do consumidor. Engajado com vendas e economia, ele percebeu a ausência que Cuiabá tinha quando se tratava de lojas especificas de produtos de beleza, e não somente de beleza, mas higiênicos como sabonetes e até perfumaria. Por isso, em 1980, em união com sua esposa Ana Virgínia Ferraz de Matos, fundou a empresa Matos e Matos com uma perfumaria multimarcas chamada Cheiro de Amor.

Notando a crescente expansão da empresa, em 1985, o economista trouxe a franquia do O Boticário à Capital se tornando a primeira loja especializada em cosméticos e perfumaria. Por se tratar de um produto que os consumidores aceitavam bem, a empresa deslanchou no mercado sendo necessário agregar a equipe mais funcionários, especialmente na gestão de pessoas que vinha se expandindo proporcionalmente ao desenvolvimento da empresa. Em entrevista concedida a Câmara de Dirigentes Lojistas em Cuiabá em abril de 1999, Jorge Luiz de Matos conta sobre sua visão de empreender. Veja aqui

Fotos: Mayke Toscano/Hipernotícias

Nesse cenário e acompanhando todo o crescimento da empresa de perto, a administradora Dalva Beatriz Malhado Ferraz, cunhada de Jorge, se vincula a franquia em fevereiro de 1999 - devido a seu desligamento das Centrais Elétricas Mato-grossenses S.A (Cemat) por causa do processo de privatização - a convite do próprio fundador. Com sua desvinculação da Cemat, Dalva assume a área de recursos humanos da coorporação. Com três meses de trabalho sob os olhos atentos de  Jorge Matos, ele  falece e ela adquire o comando no cargo de gerente de negócios e superintendente executiva em companhia de sua irmã Ana Virgínia, que veio a falecer em 2009.

Com total e única responsabilidade na direção geral do negócio, Dalva Ferraz começa, então, a exercer as funções administrativas da empresa.

RECONSOLIDAÇÃO DA MARCA

Mesmo diante das tragédias e percalços que a vida trouxe à Dalva, ela não se deixou abater e conquistou equilíbrio interior para superar a ausência dos familiares. Assim, deu continuidade ao sonho de seu cunhado e irmã: reconhecimento e solidificação do O Boticário. De acordo com administradora e diretora geral, foi necessário aprender novamente como administrar, porque não ela não possuía experiência na área comercial e de vendas, já que vinha do segmento de recursos humanos. “Fomos buscar conhecimento. Fizemos muitos cursos dentro e fora do Estado para entender o mercado. Tudo com uma grande responsabilidade, pois quem tocava o negócio era Jorge e nós tínhamos que mostrar a franqeiadora que erámos capazes de levar a empresa sem ele”, conta.

E assim o fizeram! No primeiro ano de atuação de Dalva à frente do negócio, a franquia recebeu a premiação do O Boticário nacional por terem crescido 40% em venda e compra da indústria. Isso gerou expectativas de maior crescimento da empresa cuiabana, pois a franqueadora percebeu que o profissionalismo característico da fundação da franquia ainda se mantinha. “Logo nós ganhamos a confiança do O Boticário nacional e dos colaboradores. Isso foi bom, pois uma pessoa nova entrar na empresa sem qualquer experiência gera muita incerteza, que deixamos para trás”, assegura Dalva Ferraz, diretora geral do O Boticário.

O BOTICÁRIO HOJE

E, realmente, essas dúvidas quanto à condução da empresa ficaram no passado. Com dez anos de atuação sob sua administração, a diretora expandiu a franquia de sete para 13 lojas na Capital. Mas hoje, 31 anos depois de seu surgimento, a empresa possui 17 lojas espalhadas em Cuiabá e Várzea Grande, presentes, inclusive, nos três shoppings centers da cidade e conta com 144 colaboradores. Além disso, e dentro do programa de expansão do empreendimento, a direção tem agido de forma estratégica utilizando a pesquisa de mercado como uma ferramenta para detectar bons pontos de vendas e potencial dos consumidores, inclusive em bairros populares e dentro de outros empreendimentos estruturados.

Embora os fundadores e idealizadores da franquia O Boticário em Cuiabá não conseguissem acompanhar o desenvolvimento da empresa, seus filhos, hoje, os representam muito bem. Assim como Dalva Ferraz, seus sobrinhos Jorge Henrique e Daniel Luiz Ferraz de Matos se tornaram responsáveis pelas diretorias da franquia. Jorge atua a 11 anos no negócio enquanto seu irmão há sete. Mesmo abalados com as perdas precoces que tiveram, a empresa caminha sólida, com empreendimentos recém inaugurados e registrando aumentos nas vendas que chegam até 40%, em relação ao exercício anterior.

COMPROMISSO SÓCIO-AMBIENTAL

Mas não é só de números e lucros que O Boticário vive. Obrigações ambientais também fazem parte dos valores da empresa que atrela negócios lucrativos a um trabalho com mensuração de resultados no campo de Responsabilidade Socioambiental. Há vários programas com público interno e a comunidade. Com os colaboradores, há campanhas para gestantes que ensinam desde a parte legal e burocrática em questões de licença e direitos até ações práticas do como cuidar dos filhos. “Como nosso público é 99,9% feminino e jovem. Nós temos esse cuidado com elas”, garante

Nos projetos ambientais destaca-se o Boti Eco que visa à redução do consumo de energia tanto na empresa quanto na residência dos colaboradores. Envolve toda a instituição como um aprendizado para preservação do meio ambiente. “Tiveram funcionários que reduziram 50% no consumo de energia enquanto o pedido era de 7%. Com isso você percebe que é possível melhorar e conscientizar as pessoas com relação ao meio ambiente”, assegura Dalva Ferraz.

Iniciados a cerca de 10 anos, inclusive há um grupo de voluntários corporativos, esses projetos tem conquistado importantes reconhecimentos em nível local e nacional. Recentemente recebeu premiação nacional pelo trabalho na área sócio-ambiental, com o Projeto Boti Eco e o Projeto Bio Consciência, que promove uma destinação correta às embalagens vazias de produto, na qual os frascos utilizados podem ser devolvidos nas lojas que posteriormente serão entregues a indústria para reciclagem evitando que poluam o ambiente.

COMO SER UM FRANQUIADO?

Embora a diretora geral da franquia do O Boticário não tenha sido responsável por trazê-la a Cuiabá, ela sabe muito bem como se dá todo o processo e explica como é possível ser um franquiado. Dalva pontua que primeiro é necessário passar um perfil para ver se o possível empreendedor tem futuro no negócio. Há testes e processos de seleção para se tornar um franqueado. Além disso, é necessário capital para se investir, embora o suporte da franqueadora seja muito grande em termos de sistema, profissionalização, inovações e cursos.

Vale ressaltar que é indispensável para representar a marca e ser uma franquia, o interessado estar em comum acordo com os valores da empresa a qual se representará. “O que eu digo sempre é que para ser um franqueado é preciso olhar primeiro se os objetivos e valores condizem com que a franqueadora quer, senão não há casamento. Porque franquia, para mim, é um casamento”, explica.

Para Dalva Beatriz Malhado Ferraz, empreender é: Fazer acontecer!

1. Dica para quem quer iniciar um empreendimento

Primeiro é necessário ter conhecimento do mercado e do publico que ele quer atingir. Hoje com o grau de exigência do consumidor a empresa tem que começar investindo muito em pessoas também.

2. O Custo Brasil é realmente um obstáculo para o empreendedor?

O Custo Brasil dificulta muito, porque o empresário até gostaria de avançar, mas ele é impedido pelo custo. O que poderia ser investido em pessoas, porque eu acho que a maior riqueza são as pessoas, não avança pelo custo e encargos que se tem que recolher para o estado com retorno quase zero. Mas como o empreendedor é persistente, ele não desiste e vai criando formas para que esse lucro consiga minimizar o impacto desse custo dos impostos.

3. O que é mais importante: dinheiro ou criatividade?

Uma coisa não anda sem a outra. A criatividade é importante porque ela consegue enxergar e criar mecanismos para que o dinheiro venha, pois sem ele não se consegue fazer muita coisa. Mas se eu tiver dinheiro e não tiver criatividade, eu posso ter a criatividade no momento e contratar alguém criativo para tocar o negócio. Então, eu preciso ter algo criativo para fazer que o dinheiro renda.

4. O que é mais difícil: fidelizar um cliente ou conquistar um novo?

É mais difícil fidelizar, porque um cliente novo você pode trazer através de uma campanha publicitária e uma loja muito bonita, por exemplo. Mas para você manter aquele cliente com você exige muito investimento. Eu acredito muito que essa fidelização vem da conexão emocional, porque produto todo mundo tem com qualidade, e eu preciso fazer com que ele se emocione e tenha essa conexão para que ele se fidelize.

5. É mais fácil começar um empreendimento do zero ou começar com uma franquia?

Com uma franquia porque já existe uma estrutura. Esse trabalho inicial de prospectar mercado e fazer pesquisas com empresas que tenham conhecimento de clientes, públicos, hábitos de compra do consumidor já foi feito por alguém. Então, é mais fácil. O trabalho inicial exige muito demanda tempo e investimento, e já tendo o respaldo vai te munir de informações para você continuar.

6. Qual o diferencial?

Está no nosso DNA a valorização do ser humano. Primeiro, as pessoas depois o lucro.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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