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Cuiabanália Quinta-feira, 22 de Maio de 2014, 09:31 - A | A

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Quinta-feira, 22 de Maio de 2014, 09h:31 - A | A

ENTREVISTA DA SEMANA

Para Moacyr de Lannes, mercantilismo acabou com o trabalho voluntário no futebol profissional

Segundo ele, era mais fácil tocar o futebol profissional em Mato Grosso em outros tempos

NELSON SEVERINO




Presidente do Clube Esportivo Operário Várzea-grandense (CEOV) no triênio 78/79/80, o reumatologista aposentado Moacyr de Lannes, 78 anos, garante que em outros tempos era mais fácil tocar o futebol profissional em Mato Grosso. “Acabou a participação voluntária da população nos clubes...” – justifica de Lannes, lembrando que o açougueiro não doa carne mais, o dono do armazém não doa arroz e feijão, a lavadeira não lava mais os uniformes de graça...

Nem a sociedade participa mais da vida dos clubes, talvez pelo mercantilismo que impera no futebol profissional. Recorda o ex-presidente do “Chicote da Fronteira” que na sua administração o CEOV realizava shows, com renomados artistas como Agnaldo Timóteo e Nelson Gonçalves, entre outros, que garantiam ao clube uma receita extra, independente do dinheiro que entrava de rendas de jogos e de patrocinadores.

Na opinião do ex-presidente operariano, que acha que a Arena Pantanal não vai se transformar em um “elefante branco” se for bem utilizada, inclusive para múltiplas atividades, é preciso buscar alternativas para superação da crise financeira que afeta os clubes de futebol profissional, investindo em “escolinhas” para formação de atletas, criar associações nos bairros, fazer parcerias com entidades, indústrias, comércio, etc. “É preciso criar, inventar...” – afirma de Lannes.

Nelson Severino

Moacyr de Lannes com o amigo e compositor Itororó


HiperNotícias – Antes de assumir a presidência do Clube Esportivo Operário Várzea-grandense, o senhor integrou o Departamento Médico durante muitos anos. A experiência da passagem pelo importante setor ajudou-o de alguma forma a conduzir o clube?

Moacyr de Lannes – Sem dúvida. Logo que voltei como médico para Várzea Grande, encontrei o doutor Murilo Godoy, que era colega da mesma faculdade e o meu entrosamento com ele era familiar. Como ele morava em Cuiabá, eu passei a ser o seu substituto aqui em várias ocasiões... Daí também minha participação na administração do clube. Além disso, eu já tinha sido presidente do Rotary Clube de Várzea Grande, presidente e fundador da Policlínica de Várzea Grande, que evoluiu para o hospital São Lucas de Várzea Grande do qual fui presidente e fundador; também fundei e presidi o De Lannes Clube, primeiro clube social de Várzea Grande, freqüentando, assim, praticamente, os mesmos ambientes sociais, pois fixei residência em Várzea Grande. Foi fácil...

HiperNotícias – Durante sua gestão, o Operário, aparentemente, não teve problemas financeiros mais graves, porque o clube fazias muitas promoções em sua sede social no centro de Várzea Grande para arrecadar dinheiro. Por que o Operário abandonou essa fonte de renda? A sociedade deixou de colaborar ou houve desinteresse dos dirigentes que o sucederam no tricolor?

Moacyr de Lannes – Realmente, quando assumimos a presidência, a sede do Operário era “república” de atletas. Com o auxílio de toda a equipe administrativa e entusiasmo de diretores do Departamento Social – Netinho Costa Marques, Loacil de Lannes, João Federal e outros –, limpamos a sede, pintamos, arrumamos e convocamos rádio, televisão, colunistas sociais e principalmente a sociedade mais madura da cidade – gente que dificilmente sairia de casa para ir a bailes, carnaval, shows, etc. Para nossa satisfação, responderam positivamente, incentivando-nos e aí trouxemos Agnaldo Timóteo, Nelson Gonçalves e outros. Criamos assim uma casa social para desfile de modas, concurso de miss, palestras e apoio aos atletas.

Nelson Severino

Moacyr de Lannes


HiperNotícias – Como presidente do CEOV, no período de 1978/80, o senhor deu a arrancada para a construção da Vila Olímpica do clube, no bairro Carrapicho. Por que um projeto tão importante para a vida do Operário não avançou?

Moacyr de Lannes – Com a positiva manifestação de credibilidade cresceu nosso entusiasmo e com o apoio do companheiro Gonçalo Pedroso de Barros (o Branco), então prefeito da cidade, lançamos a sonhada Vila Olímpica que seria a redenção e sustentabilidade do clube. Limpamos a praia, fizemos um pequeno prédio de duas salas e entradas independentes, com banheiros, mesas de cimento, na sombra de uma frondosa mangueira, um campo de voleibol de areia e a marcação de um campo de futebol. Não nos foi possível, por problemas documentais do terreno que ganhamos do governador Garcia Neto fazermos o loteamento da área e cujo dinheiro seria investido na construção da Vila Olímpica.

HiperNotícias – Sob sua presidência, o Operário disputou em 1979 o Campeonato Brasileiro de Futebol, com relativo sucesso. Era mais fácil tocar futebol naquela época ou agora, com tantos patrocinadores?

Moacyr de Lannes – Logo no início de nossa gestão, Carlos Orione e eu fomos ao Rio de Janeiro para tentar contratar um técnico e alguns atletas para o tricolor. Visitamos e assistimos treinos do Vasco das Gama e do Flamengo, mas não houve acertos. A pedida deles estava acima das nossas possibilidades. Fomos à sede da Associação de Técnicos e Treinadores e tivemos contatos com alguns profissionais disponíveis. Fechamos com o professor Melquizideque, que além de ser formado em Educação Física, havia lançado um livro sobre futebol, regras, táticas, esquemas... Ficou acertado que ele traria três ou quatro jogadores do América do Rio. Lembro dos nomes de Renato, Fidélis e Chiquinho. Contratamos Mosca, Malaquias, Coquinho, Gaguinho, Odenir, Zé Pulula. João Carlos, J. Alves, Félix (goleiro que depois foi para o Fluminense), Gerson Lopes, Piranha, Zé Maria, que mais tarde foi lançado como técnico, Ruiter e outros. Então, com essa onda boa, de trabalho sério, de muita luta, por verdadeiro amor a camisa e prestígio de Carlos Orione com o almirante Heleno Nunes, presidente da Confederação Brasileira de Desportos e participação ativa da imprensa escrita (jornais e revistas), falada (rádio) televisa (televisão), o clube Operário de Várzea Grande passou a ser conhecido, respeitado e sendo inclusive convidado para participar do Campeonato Brasileiro de Futebol. E teve uma participação honrosa no certame de 1979, conseguindo um empate em Arapiraca, outro em Fortaleza, e perdendo para o Vasco da Gama no Rio e para o Goiás, em Goiânia. Então, parece-me que naquela época era mais fácil porque muita gente ajudava sem pensar em retorno. Participação mesmo, por amor à camisa, era um trabalho voluntário...

HiperNotícias – Muitos ex-jogadores do tricolor afirmam que o lateral esquerdo Gaguinho procurava de todas as formas driblar os médicos para não treinar. Ele era malandrão mesmo ou é conversa fiada?

Moacyr de Lannes – Não tive essa informação, mas os jogadores sabiam que é nos treinamentos que eles adquiriam preparo físico e técnico. Além disso, os diretores do Departamento de Futebol, técnicos e outros estariam constantemente “visitando” a “república” em diversos horários. Ainda eram feitos exames médicos periódicos, trocadas informações e consultas com psicólogos. Mesmo com essa vigilância, alguns ainda aprontavam...

HiperNotícias – O senhor comandou o Operário numa época em que no clube tinha jogadores consagrados como J. Alves, Gerson Lopes, Gaguinho, Guará, Odenir, Zé Pulula e outros. Como era seu relacionamento com o plantel?

Moacyr de Lannes – Tínhamos um plantel bem entrosado, motivado, com a rapaziada querendo crescer, progredir e consciente de que melhorando o clube, melhorava para eles também,. Além disso, eu morava aqui e podíamos estar presente nos treinamentos no clube, nos jogos e em alguns eventos sociais. Um relacionamento muito bom.

HiperNotícias – Estádios vazios, jogadores muito valorizados, clubes cada vez mais endividados. Que saídas o senhor vislumbra para superação desses problemas no futebol profissional?

Moacyr de Lannes – Vivemos em outras eras, há um mercantilismo desenfreado. Acabaram as participações voluntárias. Donos de armazéns que davam o arroz; outros o feijão, o açougueiro que com frequência mandava carne, a dona Maria que lava os uniformes sem cobrar nada, motivação do público... torcedores apaixonados que acompanhavam seus times, que reclamavam, que sugeriam, participavam, etc. Acho que temos um grande problema... talvez incentivando escolinhas de futebol, criando pratas da casa, planejamento empresarial, estrutura básica, e manter o que temos e se possível, melhorar para continuar competindo...

Acervo Zé Pulula

Moacir De Lannes, Totinha Gomes, falecido engenheiro Aurélio e amigos no Lançamento da construção da Vila Olímpica do Operário em 1978


HiperNotícias – O senhor acha que a Arena Pantanal vai ajudar o futebol mato-grossense a sair da crise financeira em que está mergulhado, mesmo com seus altos custos de manutenção?

Moacyr de Lannes – Temos que procurar pegar a onda da Copa... a bola trouxe uma movimentação nunca vista. Acreditamos que Cuiabá e Várzea Grande vão ficar muito mais bonitas com ares de cidades grandes. A Arena Pantanal deve ser aproveitada para atividades variadas, com participação ativa da população, a cidade terá mais educação, cultura, turismo. E os clubes aproveitando essa onda do progresso criam condições de investimentos em, promoções, oficinas de futebol, futebol-esporte, futebol-saúde, futebol-arte, futebol-turismo, etc. Participar, chegar junto, criar. Tem que buscar!

HiperNotícias – Tem gente apostando que se os demais clubes de Mato Grosso não investirem pesado em contratações, daqui a pouco as disputas dos principais títulos do futebol do Estado vão ficar restritas a Luverdense e Cuiabá Esporte Clube. Em sua opinião esse risco existe?

Moacyr de Lannes –
Pode até ser... Para manter ou criar um plantel para disputar com qualidade com times de series C, B ou A, é preciso haver investimento. Todavia, se não temos condições financeiras, vamos valorizar as escolinhas, o amadorismo, aproveitar os jovens das “peladas”, criar oportunidades com educação, saúde, orientação de higiene, alimentação, exercício, montar centros educativos, associações nos bairros, parcerias com as indústrias, comércio, escolas. Inventar! O risco existe e será péssimo para motivação pública.

HiperNotícias – Como o senhor analisa essa violência que está explodindo Brasil afora em protesto contra os investimentos que os governos federal e estaduais onde serão realizados jogos estão fazendo na Copa do Mundo de Futebol?

Moacyr de Lannes – A bronca é livre! A manifestação, a crítica, é salutar. Agora, a baderna, a depredação, é anarquia! Não podemos tolerar, não compactuar com a violência, como a dos caras que jogam vasos sanitários, ou soltam um foguete (rojão) ou um sinalizador, sem pensar nas consequências desastrosas que certamente vão produzir... Bem, a Copa está aí, é o maior acontecimento do mundo do futebol; é o maior movimento turístico do mundo; é a maior oportunidade que a indústria, comércio, transporte e outros serviços tem de aumentar seu faturamento. É a maior oportunidade de empregos para pessoas que tem alguma qualificação; é a maior chance para os vendedores ambulantes... Enfim, eu não ouvi falar de nenhum país que sediou a Copa do Mundo de Futebol ficou mais pobre... Vamos acreditar, vamos ter fé, vamos fazer a nossa parte. Vamos criar uma onda de boa vontade e torcer pelo Brasil

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Luciano Campos 23/05/2014

Moa meu grande amigo, muito boa reportagem parabéns !

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1 comentários

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