Segunda-Feira, 18 de Maio de 2020, 08h:57

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Enfermeira que morreu com coronavírus era diabética e fez uso de cloroquina

Por: KHAYO RIBEIRO

A enfermeira Alessandra Bárbara Pereira, 49 anos, que morreu por conta de complicações após ser infectada com a Covid-19, o coronavírus, era diabética e fez uso de cloroquina para se tratar da doença. O óbito da profissional da saúde foi notificado na manhã desta segunda-feira (18) pela secretaria de Estado de Saúde (SES).

Reprodução

enfermeira Alessandra Bárbara Pereira

Enfermeira Alessandra Bárbara Pereira, 49 anos, foi o 28º óbito por conta da Covid-19 em Mato Grosso

Ao HNT/HiperNotícias, o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos da Saúde, Oscarlino Alves, apontou que tanto Alessandra quanto o enfermeiro Athaide Celestino da Silva, que também morreu por conta do coronavírus no início do mês, fizeram uso da cloroquina para se tratarem do coronavírus.

“É uma doença bastante séria, nova, não tem medicação e não tem vacina. Ela estava em uma situação muito aguda na UTI. Na madrugada de hoje, ela inteirou 46 dias de luta, somente dentro da UTI ela passou 43 dias”, disse Oscarlino.

Alessandra e Athaide eram parte de um grupo de profissionais da saúde que trabalhava em uma unidade ligada ao Hospital Adauto Botelho. No início de abril, uma denúncia escancarou a realidade de que diversos profissionais daquela unidade foram infectados pela Covid-19.

Quando questionado na manhã desta segunda-feira sobre os demais infectados, Oscarlino apontou que não há mais profissionais daquela unidade internados e que Alessandra e Athaide eram os casos mais graves. Contudo, o sindicalista disse que desde o início do curso da pandemia no estado ao menos 50 trabalhadores da área da saúde foram contaminados pelo vírus.

A enfermeira não terá velório e será sepultada em caixão fechado, seguindo as diretrizes das autoridades sanitárias. A cerimônia será restrita e contará somente com algumas pessoas mais próximas.

Cloroquina

Sem eficácia comprovada, o composto divide opiniões entre as instituições ligadas à saúde. No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tem apontado o fármaco como um caminho possível para o tratamento da doença. Contudo, o posicionamento do líder de Estado segue em desencontro com o parecer de diversas autoridades competentes.

No início de abril, Mato Grosso recebeu três mil comprimidos de cloroquina após liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). À época, o comunicado do governo estadual dizia que o fármaco seria destinado aos hospitais de referência para o tratamento de pacientes em estado grave.

Coronavírus em Mato Grosso

O último boletim emitido pela SES, na noite de domingo (17), apontou que Mato Grosso registrou 901 pessoas infectadas pelo vírus, sendo que 44 pacientes apresentaram resultado positivo para a doença nas últimas 24h.

Além disso, o estado já acumula um total de 28 óbitos, sendo que na maioria dos casos os pacientes tinham ao menos uma comorbidade para a doença (diabetes, hipertensão, doença cardiovascular, doenças respiratória crônica, acima dos 60 anos e outros).

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3 Comentários

waldomiro lopes - 20/05/2020

É, com a contaminação já generalizada em avançado estado,o efeito do remédio já não foi o suficiente para salva-los o uso deveria ser feito no começo, após comprovado, para ter eficácia.

Juca - 19/05/2020

Quanta desinformação. Dizem que a hidroxicloroquina mata, se for assim quem toma a anos pra malária e lupus essas pessoas estavam mortas. E a especialista yamaguchi já disse deve ser aplicado no inicio do caso é por apenas 5 dias em doses bem pequenas, receitado por médicos. Neste caso esta enfermeira pelo visto foi ser aplicado já em sua fase mais grave, o que a especialista já.disse que não resolve. Agora se a pessoa é contra não tomar, é só dizer ao médico e familiares que quando pegar COVID para não aplicarem este remédio. E respeite o direito de quem quer tomar. Isso é democracia.

waldomiro lopes - 18/05/2020

Acredito que o uso da cloroquina só faz efeito quando no início da infestação do covid-19 cerca de uns sete dias dos sintomas.

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