A proibição das bets anunciada pelo governo federal nesta sexta-feira (25) pode atingir diretamente as receitas dos clubes da Série A do Campeonato Brasileiro. Dos 20 times da elite, 14 têm contratos de patrocínio máster com empresas de apostas, segundo levantamento publicado pelo GLOBO.
O mercado de apostas deve movimentar cerca de R$ 1,1 bilhão em patrocínios no futebol brasileiro em 2026, valor semelhante ao registrado na temporada anterior. Com a medida provisória anunciada pelo governo, os contratos podem ser afetados pela determinação de retirada de marcas de apostas de ações publicitárias e patrocínios.
Entre os clubes com os maiores contratos está o Flamengo, que recebe R$ 268,5 milhões por temporada da Betano. O valor representa 12,85% da receita bruta registrada pelo clube em 2025, de R$ 2,089 bilhões.
CORINTHIANS E SÃO PAULO
Depois do Flamengo, Corinthians e São Paulo são os clubes em que os contratos com bets representam mais de 10% do orçamento bruto.
O Corinthians tem contrato de R$ 103 milhões por ano com a Esportes da Sorte, equivalente a 10,6% da receita bruta de R$ 971,1 milhões registrada em 2025.
No São Paulo, o acordo com a Superbet chega a R$ 113 milhões anuais. O valor corresponde a 10,5% da receita bruta de R$ 1,074 bilhão.
O Atlético-MG aparece na sequência, com contrato de R$ 60 milhões com a H2bet, equivalente a 7,8% da receita de R$ 768 milhões.
VEJA OS MAIORES CONTRATOS
Entre os valores fixos levantados estão:
Flamengo: R$ 268,5 milhões por ano com a Betano;
São Paulo: R$ 113 milhões com a Superbet;
Corinthians: R$ 103 milhões com a Esportes da Sorte;
Palmeiras: R$ 100 milhões com a Sportingbet;
Atlético-MG: R$ 60 milhões com a H2bet;
Botafogo: R$ 55 milhões com a Vbet;
Grêmio: R$ 50 milhões com a Alfa;
Internacional: R$ 50 milhões com a Alfa;
Fluminense: R$ 52 milhões com a Superbet;
Vasco: R$ 47 milhões com a Betfair;
Santos: R$ 52,5 milhões com Blaze/7K;
Bahia: R$ 40 milhões com a Viva Sorte Bet;
Cruzeiro: R$ 40 milhões com a Betfair;
Vitória: R$ 16 milhões com a 7K.
Os valores correspondem aos pagamentos fixos considerados no levantamento e não incluem eventuais bônus previstos nos contratos.
CONTRATOS JÁ MUDARAM
O cenário dos patrocínios, porém, não é estático. Alguns clubes trocaram de empresa ou encerraram contratos ao longo de 2026.
Santos, Vasco, Cruzeiro e Remo, por exemplo, mudaram de patrocinadora. Bahia, Grêmio e Internacional também perderam receitas após o rompimento com antigas casas de apostas, embora o Grêmio tenha firmado posteriormente um novo acordo com a Pitaco, no valor informado de R$ 43 milhões por ano.
Athletico-PR, Coritiba, Bragantino e Mirassol também aparecem no levantamento, mas com situações diferentes em relação aos contratos e sem valores fixos informados em alguns casos.
O QUE MUDA COM A PROIBIÇÃO
A medida provisória anunciada pelo governo determina a retirada de publicidade, propaganda e ações de marketing de bets, além das marcas relacionadas a contratos de patrocínio, até 5 de outubro.
A partir da publicação da medida, também ficam proibidas novas ações publicitárias de apostas.
Na prática, os clubes que ainda possuem acordos com empresas do setor terão de lidar com a retirada das marcas e com os possíveis efeitos financeiros do fim dos contratos.
A proibição também ocorre em um momento em que as casas de apostas se tornaram uma das principais fontes de patrocínio do futebol brasileiro, ocupando espaços de destaque nos uniformes e até os naming rights de competições nacionais.
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