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Artigos Segunda-feira, 20 de Junho de 2016, 14:55 - A | A

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Segunda-feira, 20 de Junho de 2016, 14h:55 - A | A

Tudo a seu tempo

Acolher na política o tempo das pessoas e de outras organizações será sempre uma mais-valia para transformação estrutural e administrativa brasileira

RUI PERDIGÃO

arquivo pessoal

Rui Perdigão

 

Qualquer acontecimento que crie séria perturbação no regular desenvolvimento do processo de impeachment ou que inviabilize a sua conclusão seria um erro gravíssimo que o Brasil pagaria muito caro.

 

É imprescindível que o processo decorra sem grandes sobressaltos e se conclua independentemente do desfecho confirmar o impedimento da presidente ou determinar a sua recondução. No entanto, uma coisa parece certa, se a presidente reassumir o cargo ou o presidente interino assumir funções permanentes, a administração será extremamente difícil para qualquer um dos dois.

 

Haverá um elevado grau de incapacidade e precipitação na execução, acompanhada de manifestações populares muitas delas ainda carregadas de ódio. A forte probabilidade desta situação se confirmar fez aparecer na discussão a possibilidade de se realizar um plebiscito em simultâneo com as eleições municipais de 2016, para questionar a população sobre convocação, ou não, de eleições gerais antecipadas.

 

A consulta popular, assim como as revoluções sociais são na essência formas genuínas de busca por uma vida melhor, porém, um plebiscito junto com o ato eleitoral do próximo mês de outubro, esvaziaria por completo a excelência do conteúdo das eleições municipais. Por outro lado, as próximas eleições estão já acrescidas da necessidade de um aprendizado adicional em face das recentes e boas alterações da legislação eleitoral, como também se espera que a normalidade do processo eleitoral contribua para requalificação dos espaços e tempos de discussão pública das propostas políticas em votação. Por isso, talvez seja aconselhável que essas eleições decorram sem maiores ingerências.

 

Num cenário imaginário de eleições gerais antecipadas, um resultado semelhante a 2012, com grande equilíbrio das forças políticas em confronto, poucos seriam os ganhos que se obteria na melhoria das condições de governação. No caso do resultado se apresentar com expressiva vantagem para uma das forças em pleito, a governabilidade continuaria ainda assim muito dependente do congresso que, integrando um enorme numero de indivíduos investigados criminalmente, precisa de algum tempo para ser exorcizado. Assim, antecipar o ato eleitoral para os próximos seis a nove meses muito provavelmente só proporcionaria o exercício imediato do poder e algum conforto pela reposição da ordem democrática.

 

Importante também ter em consideração que o atual ambiente sociopolítico carece muito de espaço livre ao pensamento individual e que a enérgica ação judicial de combate há corrupção acaba também por projetar injustamente agravo na já frágil sagacidade de avaliação e de tranquilidade na decisão. Nessas condições e em detrimento da consulta popular via plebiscito, o processo revolucionário que se encontra em curso no Brasil como se pode observar pelo estado apocalíptico que se vive, apresenta-se muito mais vantajoso e menos complicador.

 

Neste panorama, é importante entender que o tempo da justiça não é igual ao tempo da política, assim como é necessário aceitar que a justiça precisa do tempo certo para conseguir avançar também para dentro do próprio poder judiciário. Acolher na política o tempo das pessoas e de outras organizações será sempre uma mais-valia para a tão premente transformação estrutural e administrativa brasileira.

 

O mundo não morre com a nossa morte e por vezes torna-se cabível dar um passo atrás para se conseguir dar dois em frente. Nesse movimento, o trabalho, a persistência e a transparência são um contributo inestimável e a exigência de respeito pelo povo uma obrigação.

 

*RUI PERDIGÃO é administrador, consultor e presidente da Associação Cultural Portugueses de Mato Grosso.

 

 

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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