Terça-Feira, 19 de Novembro de 2019, 08h:00

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Paternidade de obra marca inauguração do novo Pronto Socorro de Cuiabá

Por: PAULO COELHO

Reprodução

hmc


Foi inaugurado, em definitivo, na noite desta segunda-feira (18) o Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) em um palanque composto por seis dos oito últimos governadores de Mato Grosso e, praticamente todos os deputados federais e estaduais, senadores do Estado, dezenas de prefeitos e vereadores do interior, entre outras autoridades.

O maior hospital público do Estado foi entregue à população em um clima marcado por constrangimento e rivalidade entre o prefeito da Capital, Emanuel Pinheiro (MDB) e o governador Mauro Mendes (DEM).

Isso porque a “paternidade” do empreendimento acabou polarizando os discursos. Foi Mendes, enquanto prefeito da Capital, quem idealizou, licitou e começou a obra, deixando-a para ser concluída  na gestão de seu sucessor, Emanuel Pinheiro.

E esse foi o ponto determinante para a presença de Mauro Mendes na cerimônia. Em seu discurso de 17 minutos de duração, Mendes explanou suas ações de governo e aproveitou para rebater recentes afirmações do prefeito, de que as obras do hospital estavam paradas, quando Emanuel assumiu o mandato.

De posse uma planilha, Mendes encerrou sua fala chamando de “inverdades” as declarações de Emanuel, pois segundo ele, até o fim de seu mandato de prefeito, em dezembro de 2016, tais obras estavam em andamento.

“Eu queria deixar em suas mãos uma planilha, porque esses dias eu vi o senhor noticiando, e eu tenho certeza que o senhor fez isso porque sua assessoria deve ter lhe informado de maneira equivocada, que a obra estava paralisada. Aqui está em nossas mãos um documento, inclusive oficial da prefeitura, que mostra que desde julho de 2015, quando a obra teve sua primeira medição, até o mês de maio, quando houve sua 47ª medição, em todos esses meses e em todos esses anos houve medição, que deixou essa obra sempre em funcionamento".

"Então, eu tenho absoluta convicção de que o senhor jamais falaria uma inverdade dessas, e para reposicionar a verdade, eu quero lhe entregar pessoalmente, em suas mãos, e lhe agradecer muito por ter terminado essa obra”, concluiu Mauro, se dirigindo em seguida até Emanuel, entregando o documento, em meio a tímidas e esparsas vaias, de parte dos comunitários que sentavam mais ao fundo do recinto do evento.

Na maior parte de sua fala, Mauro Mendes discorreu sobre as principais ações de seus primeiros 10 meses de gestão à frente do Palácio Paiaguás.

SEM POLÊMICAS

Emanuel evitou polemizar com o governador e discursou usando pouco mais de 15 minutos para agradecer e enaltecer a importância da obra, construída graças a um recurso de R$ 100 milhões destinado ao município pelo ex-presidente da República, Michel Temer (MDB), e que foi viabilizado pelo ex-senador Blairo Maggi (à época ministro da Agricultura).

Temer, esperado até a última hora para participar da cerimônia em Cuiabá, não compareceu. Enviou o presidente do MDB nacional, deputado federal Baleia Rossi, e o governador do Distrito Federal, Ibanês Rocha Barros, para representá-lo. O prefeito interrompeu seu discurso para apresentar em um telão uma fala de um minuto e meio de Temer sobre a liberação dos R$ 100 milhões feita no final de seu mandato, em 2018, dentro do programa Chave de Ouro.

Sobre o estágio de como encontrou as obras daquilo que, a princípio, seria o novo pronto socorro de Cuiabá, o prefeito emedebista, no final de seu discurso, citou o governador. “Quero agradecer ao governador Mauro Mendes que iniciou essa obra. E que a verdade seja dita, ele me deixou 25% dessa obra, é o que estava aqui quando eu assumi. Mas, não posso deixar de agradecê-lo por essa obra que ele iniciou e que nós tivemos a missão  de retomar, dar continuidade, equipar, mobiliar, montar e colocar em pleno funcionamento”, concluiu.

À reportagem do HNT/HiperNotícias o prefeito respondeu sobre a tal  planilha entregue a ele pelo governador. “Eu vou fazer uma prestação de contas, mas também não tiro o mérito do governador por ter começado a obra, não. Ele começou mas não conseguiu continuar, isso acontece. Não é fácil tocar uma obra dessa. É por isso que o hospital central está parado, o Júlio Muller está parado há sete anos e tudo com dinheiro na conta. O HMC estava parado, como várias outras unidades estavam paradas. O governador fez de 22% a 25% da parte financeira, e de 22% a 23% de obra física, isso é o que estava e aqui hoje vocês viram [no telão] o antes e o depois”, completou

Estiveram presentes no ato público, os ex-governadores Júlio Campos (DEM), o deputado federal Carlos Bezerra (MDB), o senador e ex-governador Jayme Campos (DEM), o ex-governador e ex-ministro Blairo Maggi (PP), e o ex-governador Pedro Taques (PSDB). Dos três atuais senadores de Mato Grosso, somente Selma Arruda (Podemos) não compareceu.

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