Sexta-Feira, 15 de Novembro de 2019, 08h:20

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"Enquanto tiver visitas, entrarão celulares na cadeia", diz deputado

Por: PAULO COELHO

A facilidade na entrada de aparelhos de telefones celulares na Penitenciária Central do Estado (PCE) vai continuar, pelo menos enquanto tiver a  liberação de visitas aos presos. “Liberou visitas, têm celulares lá dentro”.  Essa é a opinião de quem já presidiu, por vários anos, o Sindicato dos Agentes Penitenciários de Mato Grosso (Sindispen), o deputado estadual João Batista (PROS).

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Batista: "Se têm visitas, têm celulares lá dentro"

Segundo ele, todo o aparato de segurança disponibilizado pela Secretaria de Segurança Pública (Sesp) não é suficiente para impedir que objetos, como celulares sejam levados aos presos, por visitantes.

Um dos meios de entrada dos objetos é por meio das visitas femininas, pois há uma portaria da Secretaria de Segurança Pública que proíbe a revista manual no corpo da mulher.

“Um scanner corporal demora cerca de cinco minutos para fazer o procedimento individual de revista. E, por dia são cerca de 500 a 600 visitantes naquela unidade. Os presos têm direito a duas visitas por semana. Então, não há como evitar a entrada desses aparelhos”, frisou o deputado, destacando que há ainda outras formas de revistas, mas sem eficiência.

“O detector de metal, por exemplo, elas burlam facilmente, pois há  materiais nos quais se consegue envolver um celular onde não alcança a captação de raquetes e outros detectores. Pelo scanner não se consegue passar todas elas, por causa desse tempo médio de cinco minutos. Imagina só quanto tempo levaria para passar 600 mulheres pelo  scanner corporal”, reafirmou, durante entrevista ao HNT/HiperNotícias.

Na análise dele, as visitas não são um direito adquirido “e boa parte dos celulares que entram, por essa "brecha". De acordo com o parlamentar, além das próprias esposas e namoradas de presos, há também as chamadas ‘mulas’, que nada mais são do que mulheres que ganham para infiltrarem aparelhos celulares nos presídios. “Muitas vezes ocorre, por exemplo, de uma mulher que esteja desempregada e que não tem os valores quanto a atos criminosos, como nós temos, e fazem isso. Mas tem outras que são do crime”, disse.

Outro aspecto também apontado pelo deputado, que impede a garantia de segurança quanto à entrada de objetos nas celas, é quanto ao grau de parentesco das mulheres com os presos.

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PENITENCIARIA SINOP

 Aparelhos dos mais variados tamanhos são apreendidos toda semana pelos agentes prisonais. "Maioria levada por visitantes"

"Há uma fragilidade jurídica que trata do parentesco. Por exemplo, às vezes o preso está lá há cinco anos e a mulher chega da noite para o dia com uma declaração de união estável, registrada em cartório e a Justiça determina que o preso tem direito a receber essa visita”, apontou.

Nesse sentido, outra polêmica é abordada pelo parlamentar: a entrada de garotas de programa nas unidades prisionais. “Elas não entram como garotas de programa. Elas também chegam, da noite para o dia, com declaração de união estável e, com esse documento, elas ganham o direito de visita”, salientou,

Contudo o deputado, que preside a Comissão Permanente de Segurança Publica da Assembleia Legislativa, entende que as operações desenvolvidas pelo Governo do Estado dentro de unidades prisionais são importantes, especialmente quando acompanhadas de reformas nas estruturas físicas.

“As reformas na PCE foram necessárias e é preciso fazer isso também nas unidades do interior do Estado. Eu mesmo já vinha cobrando essa operação e, consequente, a reforma estrutural da unidade. Faltou coragem por parte dos gestores nos governos passados”, concluiu.

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