Quinta-Feira, 14 de Novembro de 2019, 10h:56

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Inquérito aponta que mais armas podem ter sido fraudadas no sistema da PM

Por: LUIS VINICIUS

A Corregedoria da Polícia Militar continua investigando um Inquérito Policial Militar (IPM) que aponta indícios que podem haver novas armas fraudadas no sistema informatizado da Superintendência de Apoio Logístico e Patrimônio (Salp) da instituição. Até agora, já foram descobertas fraudes em uma pistola 9 milímetros.

Alan Cosme/HiperNoticias

corregedoria policia militar

 Corregedoria da Polícia Miilitar

O fato foi descoberto depois que a alta cúpula da PM designou um oficial para presidir um IPM paralelo a investigação da “Operação Coverage” deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco). A ação policial prendeu cinco PMs acusados de adulterarem o registro de uma pistola 9 mm, mediante falsificação documental e inserção de dados falsos no sistema da corporação.

A pistola pertence ao tenente da PM Cleber de Souza Ferreira, um dos réus na “Operação Coverage”. Também são acusados, o tenente coronel PM Marcos Eduardo Ticianel Paccola, tenente coronel PM Sada Ribeiro Parreira, o tenente Thiago Sátiro Albino, o tenente Cleber e o sargento Berison Costa e Silva.

De acordo com o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), as fraudes foram descobertas após a apreensão da pistola e do celular do tenente na Operação Assepsia, deflagrada pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), no dia 18 de junho.

Durante diligências do inquérito militar, foram descobertos indícios de que haviam novas armas que teriam sido adulteradas no sistema da Polícia Militar. A informação foi revelada por uma fonte ao HNT/HiperNotícias. No entanto, o informante não relatou qual a quantidade de armas que teriam sido fraudadas.

Após serem encontradas supostas irregularidades, o IPM foi encaminhado ao MPMT (Competência da Justiça Militar) e ao juiz da 11ª Vara Militar, Marcos Faleiros. Caso os responsáveis (promotor e juiz) julgarem necessário, o processo será remetido ao presidente do inquérito que realizará novas diligências. Se as fraudes forem constatadas, uma nova operação policial poderá ser deflagrada.

Operação Coverage

Depois de ser apreendido pela GCCO, o aparelho do tenente Ferreira foi encaminhado à Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), onde foram realizadas extrações de conversas do aplicativo WhatsApp.

Alan Comes/ HiperNotícias

Gaeco

 A "Operação Coverage" foi delgarado pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (GCCO)

Desses diálogos, os policiais descobriram um suposto grupo criminoso composto pelo próprio tenente Cleber, Albino, Paccola e Parreira.

A Polícia Civil descobriu que essa pistola teria sido usada por Cleber em crimes de homicídios ligados aos inquéritos da "Operação Mercenários".

A arma foi encaminhada à Perícia Técnica e Identificação Oficial (Politec) pela Polícia Militar, para exame de balística por conta de o tenente ter, em tese, efetuado um disparo de arma durante uma festa junina da Rotam, em 2018.

Depois, em 2019, a DHPP pediu perícia em todas as armas calibre 9 mm, que tinham passado pela Politec, nos últimos dois anos, para conexão a eventuais crimes de homicídios.

A Politec constatou em laudos periciais de balística a utilização da pistola em três homicídios consumados e quatro tentativas de homicídios, ocorridos entre os anos de 2015 e 2016. A suspeita é de que os militares fariam parte de um grupo de extermínio.

Nessa fase da investigação, a DHPP apurou que a arma pertencia ao tenente Cleber na data dos crimes, com registro no Sistema de Gerenciamento Militar de Armas (Sigma).

Quando da prisão do tenente na operação Assepsia, a GCCO verificou que havia diversas fraudes praticadas por ele com objetivo de dar legalidade a uma arma 9mm, a mesma que foi descoberta recentemente vinculada aos inquéritos da operação Mercenário.

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