Mundo Quarta-feira, 15 de Junho de 2011, 14:11 - A | A

Quarta-feira, 15 de Junho de 2011, 14h:11 - A | A

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Premiê grego oferece renúncia em troca de pacote de austeridade

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

O premiê grego, Giorgos Papandreou, disse nesta quarta-feira que está disposto a renunciar e abrir caminho para um governo de união nacional com o opositor Nova Democracia (ND) em troca da aprovação de um plano de austeridade.

Fontes do governo revelaram às agências de notícias que Papandreou conversou por telefone nesta quarta-feira com o líder do ND, Antonis Samaras. Na conversa, o próprio premiê ofereceu sua renúncia para ser substituído por "alguém de comum acordo".

Pouco antes, Samarás havia dito à imprensa grega que, em um governo de coalizão, "Papandreou não poderia ser o premiê".

"Se não houver um acordo ele pretende permanecer como premiê eleito do país, para continuar os esforços para trazer a Grécia para uma nova era, para que os gregos não tenham que viver novamente o que passam agora", disse uma fonte do governo, citada pela agência de notícias Reuters.

Papandreou chegou ao poder em outubro de 2009 com um mandato de quatro anos e, até agora, negou-se a antecipar as eleições legislativas.

Quando o premiê socialista chegou ao poder, descobriu que o déficit público era mais que o dobro do que o governo do Nova Democracia tinha divulgado --em 2009, o índice chegou a 15,4% do PIB.

Em 2010, o país recebeu um pacote de resgate de US$ 160 bilhões da União Europeia e do FMI (Fundo Monetário Internacional). A Grécia, contudo, não conseguiu cumprir as metas fiscais previstas e o governo quer agora aumentar ainda mais os impostos e cortar mais gastos.

Esses contatos entre as duas maiores forças políticas gregas ocorrem num momento crucial em que a Grécia deve aprovar um segundo pacote de austeridade, com significativos cortes de gastos e elevação de impostos, para receber ajuda externa, especialmente um quinto lance de 12 bilhões de euros previsto para julho.

Segundo as fontes ligadas ao premiê, as negociações com a oposição incluem também "mudanças estruturais necessárias, como a reforma da Constituição".

Para apoiar um governo de coalizão, o ND exige a renegociação do acordo. Já os demais partidos de oposição parlamentar se negaram a colaborar com Papandreou.

Horas antes, por ocasião de uma reunião com o presidente grego, Karolos Papoulias, em Atenas, o premiê pediu à oposição "um entendimento nacional" para respaldar o pacote de medidas de austeridade.

O último plano de austeridade da Grécia prevê 6,5 bilhões de euros em aumentos de impostos e cortes de gastos estatais neste ano, dobrando as medidas que levaram o desemprego para o recorde de 16,2% e estenderam a recessão para o terceiro ano seguido.

PROTESTOS

Em uma má notícia para o premiê, milhares de manifestantes gregos atenderam a convocação de uma greve geral e foram às ruas contra a nova série de medidas de austeridade fiscal do governo.

Eles entraram em confronto com a polícia e lançaram bombas incendiárias nesta quarta-feira, em um protesto diante de edifícios que abrigam o Ministério das Finanças da Grécia, na praça Syntagma, no centro de Atenas.

Testemunhas ouvidas pela Reuters viram dezenas de policiais entrar em confronto com manifestantes, além de focos de incêndio, diante da entrada para o principal prédio do ministério.

Um confronto semelhante ocorreu diante de outro prédio do ministério, na mesma praça.

Cerca de 1.500 policiais isolaram com faixas uma parte do centro de Atenas e construíram barricadas de metal de dois metros de altura para proteger o Parlamento, cercando-o com carros de polícia e canhões d'água.

Os manifestantes lançaram pedras e iogurte nos policiais que protegiam o Parlamento, onde os legisladores deveriam começar um debate sobre o pacote de austeridade para salvar as contas da Grécia da falência e evitar um calote do pacote de resgate do FMI e da União Europeia.

Durante a greve nacional de trabalhadores, milhares de manifestantes --alguns gritando "Ladrões, traidores! Para onde foi o dinheiro?"-- se aglomeravam em frente ao Parlamento para tentar impedir que os congressistas aprovassem mais aumentos de impostos, cortes de gastos públicos e privatizações.

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