Mundo Sábado, 02 de Abril de 2011, 10:56 - A | A

Sábado, 02 de Abril de 2011, 10h:56 - A | A

Revoltas

Otan confirma morte de rebeldes e civis em ataque aéreo na Líbia

Apesar do erro, rebeldes afirmam que apoio aéreo e bombardeios são necessários

DAS AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

Tanto representantes da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) quanto integrantes dos grupos rebeldes confirmaram neste sábado a morte de civis num ataque aéreo das forças ocidentais no oeste da Líbia, como havia adiantado a rede de televisão Al Jazeera.

Pelo menos dez rebeldes teriam morrido durante bombardeios na cidade líbia de Ajdabiya --a Al Jazeera mencionou inicialmente 13 mas elevou para 30 algumas horas depois. Autoridades municipais da região relataram, por enquanto, que nove rebeldes e quatro civis morreram nesses ataques, conforme a agência France Presse. Uma testemunha ouvida pela agência Reuters fala em 14 mortos, pelo menos.

Andrew Winning/Reuters
Rebelde observa carro destruído por ataque aéreo em estrada que liga Ajdabiyah a Brega

 

A emissora acrescenta que outros sete membros das forças revolucionárias ficaram feridos ao serem atingidos enquanto viajavam a bordo de quatro veículos 4x4, no que parece ser um erro da aviação da Otan.

"Estamos examinando essas informações. Sempre nos preocupam as informações sobre baixa de civis. A missão da Otan é proteger civis e zonas civis da ameaça de ataque", afirmou o porta-voz da Aliança, Oana Lungescu.

A Otan não possui efetivos no território. Ainda segundo a Aliança, já foram realizado um total de 363 saídas de aviões, 184 delas relacionadas à identificação de objetivos, desde que assumiu a liderança das operações na Líbia, no dia 31 de março.

Apesar das vítimas, as forças rebeldes evitaram criticar a Aliança. O porta-voz desses grupos em Benghazi, Mustafa Gheriani, afirmou a Reuters que o apoio aéreo e os bombardeios são necessários.

"Você tem olhar numa perspectiva mais ampla. Erros acontecerão. Nós estamos tentando tirar Gaddafi e haverá baixas, embora, claro, isso não nos deixe felizes", disse ele.

Os aviões da Otan bombardearam também alvos na região de Brega, zona portuária e petrolífera ao oeste de Benghazi, acrescenta a emissora.

Esta informação foi confirmada por fontes governamentais líbias, que detalharam que os bombardeios alcançaram posições das forças fiéis ao líder líbio, Muammar Gaddafi.

A intervenção aliada, indica a Al Jazeera, permitiu que as tropas rebeldes retomassem o controle de grande parte dessa cidade situada entre Benghazi, o reduto dos revolucionários, e Sirte, cidade natal de Gaddafi.

Na semana passada, durante sua ofensiva rumo a Sirte, os rebeldes retomaram o controle de Brega, assim como de Ajdabiya e Ras Lanuf, antes de perder suas conquistas pelo contra-ataque das forças de Gaddafi.

Mahmud Hams/AFP
Rebeldo líbio passa por veículos destruídos em Brega; cidade fica a 800 quilômetros de Trípoli e contem petróleo

 

CESSAR-FOGO

Na sexta-feira, o governo de Gaddafi rejeitou as condições impostas pelos rebeldes para um cessar-fogo, alegando que as tropas líbias não deixarão as cidades ocupadas, como exigido pela oposição.

"Eles estão nos pedindo para sair das nossas próprias cidades... Se isso não é loucura, não sei o que é. Não vamos deixar as nossas cidades", disse o porta-voz do governo, Mussa Ibrahim.

Os rebeldes na Líbia anunciaram também nesta sexta-feira que estavam prontos para respeitar uma trégua desde que as forças pró-Gaddafi suspendessem a ofensiva contra as cidades tomadas e se retirassem das que estão cercando.

"Não deixaremos nossas cidades. Somos nós o governo, não eles", insistiu Ibrahim, afirmando, no entanto, que o regime estava sempre pronto para a paz e o diálogo.

Segundo ele, as forças leais a Muammar Gaddafi respeitam a resolução imposta pela ONU.

TENTATIVA DE TRÉGUA

O regime do ditador líbio tentava abrir um diálogo com as potências ocidentais para encerrar a batalha no país, em um sinal de que Trípoli não vê uma saída militar à guerra contra os rebeldes oposicionistas.

"Nós estamos tentando conversar com os britânicos, franceses e americanos para encerrar o assassinato do povo. Nós estamos tentando achar uma solução mútua", disse o ex-primeiro-ministro Abdul Ati al-Obeidi, ao Channel 4, citado pelo jornal britânico 'Guardian'.

A declaração seria a confirmação dos relatos na imprensa de que Gaddafi tenta negociar com os britânicos.

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