Mundo Quinta-feira, 31 de Março de 2011, 16:13 - A | A

Quinta-feira, 31 de Março de 2011, 16h:13 - A | A

Guerra

Opositor diz que suas forças estão nos portões de Abidjã

Confrontos deixaram centenas de mortos e ameaçam levar o país de volta à guerra civil

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

O líder da oposição da Costa do Marfim, Alassane Ouattara, afirmou nesta quinta-feira que forças sob seu comando estavam "nos portões" da cidade de Abidjã e pediu aos simpatizantes do presidente Laurent Gbagbo que ainda restam para que mudem de lado para evitar maiores sofrimentos.

Ouattara foi o vencedor das eleições de novembro do ano passado, reconhecido pela comunidade internacional. Gbagbo, que já estava no poder, se recusou a renunciar e apelou ao Conselho Eleitoral por uma recontagem de votos, que favoreceu sua campanha. Desde então, forças dos dois lados se enfrentam em confrontos que deixaram centenas de mortos e ameaçam levar o país de volta à guerra civil de 2002 e 2003.

Durante a madrugada, as forças de Ouattara tomaram o controle de diversas cidades próximas à cidade principal de Abidjã, incluindo o porto de cacau de San Pedro, apertando o cerco ao redor de Gbagbo.

'"Peço a vocês que sirvam à seu país [...] Está na hora de se unir aos seus irmãos nas Forças Republicanas", disse Ouattara em comunicado na televisão estatal.

Pouco depois, artilharia pesada foi disparada no centro da cidade e as forças de elite de Gbagbo se posicionaram ao redor do palácio presidencial, segundo testemunhas.

O primeiro-ministro de Outtara, Guillaume Soro, disse à Reuters que Gbagbo tinha apenas mais "duas ou três horas" no poder e que "o jogo acabou".

"Duas ou três horas e acho que estará terminado. O jogo acabou para Gbagbo. Terminou", disse Soro.

Issouf Sanogo/AFP
Forças pró-Gbagbo patrulham as ruas de Abidjã, à espera dos homens do opositor Ouattara

A África do Sul anunciou nesta quinta-feira que o chefe do Exército de Gbagbo, general Phillippe Mangou, buscou refúgio na casa de seu embaixador no país, em um dos principais golpes ao presidente.

Na tarde desta quinta-feira (manhã em Brasília), as forças pró-Outtara foram vistas por moradores no bairro de Cocody, onde fica a sede da TV estatal e a casa principal de Gbagbo.

A cidade está sendo sobrevoada por helicópteros militares da ONU (Organização das Nações Unidas) e veículos armados franceses passam pelas ruas do centro, perto do palácio presidencial.

Ao menos 472 pessoas morreram desde que a batalha começou, segundo a ONU, e a crise humanitária se agrava a cada dia --com um milhão de deslocados apenas de Abdijã.

O número deve aumentar. "Número de mortos e feridos estão correndo aos milhares. Esta é nossa indicação", disse Pierre Kraehenbuehl, diretor de operações do Comitê da Cruz Vermelha, em entrevista coletiva em Genebra.

HISTÓRICO

Poucos dias após a votação de 28 de novembro, a Comissão Eleitoral Independente declarou o opositor Ouattara como vitorioso com 54,1% dos votos válidos, contra 45,9% de Gbagbo.

O resultado foi reconhecido pela ONU, Estados Unidos e União Europeia. No mesmo dia, contudo, Gbagbo apelou ao Conselho Constitucional com alegações de fraude eleitoral. O órgão anulou cerca de 10% dos votos, a maioria em redutos de Ouattara, dando a vitória a Gbagbo com 51%.

Desde então, a comunidade internacional pressiona Gbagbo a deixar o poder e já aplicou as mais diversas sanções --como veto ao visto de viagem aos países da União Europeia e o congelamento dos fundos estatais no Banco Central da União Monetária e Econômica do Oeste Africano. Gbagbo rejeitou todas as propostas, incluindo ofertas de anistia e um confortável exílio no exterior.

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