Mundo Segunda-feira, 18 de Julho de 2011, 14:16 - A | A

Segunda-feira, 18 de Julho de 2011, 14h:16 - A | A

CRISE

Escândalo dos grampos derruba número dois da polícia britânica

Um dia após a renúncia do chefe da Scotland Yard, John Yates renunciou por ligação com

DA FOLHA DE SÃO PAULO

O escândalo das escutas ilegais feitas pelo jornal "News of the World" derrubou mais um da cúpula da Scotland Yard, a polícia londrina.

Após a renúncia de Paul Stephenson, chefe da Polícia Metropolitana, renunciar no domingo, hoje foi a vez de John Yates, o número dois da organização.

As denúncias são que os dois foram no mínimo lenientes nas investigações sobre a prática de repórteres do jornal de ouvir a caixa postal de telefones de membros da realeza, políticos, celebridades e também vítimas de crimes.

Na primeira investigação, concluída em 2007, a polícia afirmou que a escuta do telefones de funcionários da família real era um caso isolado, não uma prática comum do jornal.

O caso não arrefece, e continuam as pressões sobre o primeiro-ministro, David Cameron, que tem relações com pessoas ligadas ao "News of the World" e que contratou como secretário de comunicação Andy Coulson, que era editor do jornal quando apareceram os primeiros indícios de conduta ilegal no jornal.

Cameron, que chegou hoje de manhã à África, encurtou a viagem, que deveria durar quatro dias. Ele volta para Londres na quarta-feira (20), para dar explicações sobre o caso no Parlamento.

Para isso, convocou os membros da Casa dos Comuns, adiando assim o início das férias dos parlamentares.

Amanhã acontece os depoimentos de Rupert e James Murdoch, donos da News Corporation, empresa que editava o "News of the World", e Rebekah Brooks, que até sexta era executiva-chefe do braço britânico responsável pelos jornais da News Corp.

Carl Court/France Presse
John Yates renunciou como comissário-assistente da Scotland Yard em mais uma perda causada por crise

ESCÂNDALO

Há anos há denúncias e relatos de que repórteres do tabloide acessaram ilegalmente mensagens de telefones de políticos, celebridades e membros da família real para obter informações exclusivas.

Nas últimas semanas, o escândalo ganhou novas proporções com denúncias de que vítimas de crimes e até familiares de soldados mortos nas guerras do Afeganistão e Iraque foram grampeados. Há ainda relatos de que o tabloide teria pago propina a policiais por informações.

Nesta semana, a comandante da Operação Weeting, que investiga os grampos, Sue Akers admitiu ao Parlamento que apenas 170 pessoas foram contatadas até agora de uma lista de 3.870 nomes, 5.000 telefones fixos e 4.000 celulares.

O "News of The World" pertencia ao grupo News Corporation (News Corp.), um dos maiores conglomerados mundiais de mídia, pertencente a Murdoch.

O tabloide era o jornal mais vendido aos domingos no Reino Unido, com uma circulação média de quase 2,8 milhões de exemplares. Sua última edição, com o título "Obrigado e Adeus", circulou no domingo passado (10), após decisão de Murdoch de fechar a publicação de 168 anos.

O escândalo também teve repercussão nos negócios de Murdoch. Ele se viu obrigado a retirar a oferta de adquirir a totalidade das ações do canal pago BSkyB, da qual já possui 39%.

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