Mundo Terça-feira, 26 de Abril de 2011, 08:13 - A | A

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Onda de Revoltas

Corpos estão espalhados pelas ruas de Misrata, na Líbia

Itália poderá realizar bombardeios aéreos contra "alvos específicos" na Líbia, segundo um comunicado emitido nesta segunda-feira

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

Corpos jaziam espalhados na cidade líbia de Misrata, controlada pelos rebeldes, e médicos sofriam para conseguir cuidar dos feridos nesta segunda-feira, depois de uma das batalhas mais sangrentas durante dois meses de cerco, segundo rebeldes e moradores.

Na sequência de um ataque intenso de bombardeios durante a noite, as pessoas saíram de suas casas na manhã seguinte para ver cenas de devastação causadas pelas forças de Muammar Gaddafi com mísseis e tanques.

Médicos disseram que mais de 20 pessoas foram mortas na batalha do domingo e 28 na de sábado. Um porta-voz dos rebeldes disse que o número de mortos pode ser maior.

Três corpos foram carbonizados de maneira irreconhecível por conta do bombardeio durante a noite e um garoto de 10 anos foi morto enquanto dormia. Mas, segundo os residentes, muitos ataques não atingiram os seus alvos. Eles acrescentaram que o ataque parou quando os aviões da Otan sobrevoaram a cidade.

"Corpos de soldados de Gaddafi estão espalhados por todos os lados, nas ruas e nos prédios. Não sabemos dizer quantos. Eles estiveram aqui por dias", disse por telefone Mohammed Ibrahim, um morador que teve seu primo morto no final de semana.

As forças de Gaddafi disseram que deixariam Misrata no final da semana passada para entregar a região para as tribos locais, confirmando que os ataques da Otan tinham afetado os soldados.

Os rebeldes, então, comemoraram a vitória prematuramente no sábado. Em poucas horas, Misrata viu uma das maiores batalhas do cerco na qual centenas de civis foram mortos na cidade que virou um símbolo de resistência contra Gaddafi.

Misrata era a única grande cidade da parte ocidental do país que ainda estava nas mãos dos rebeldes, e se as tropas de Gaddafi fossem retiradas de lá seria um revés significativo para eles.

Moradores disseram que as forças leais ao governo foram retiradas da rua Trípoli, palco das batalhas recentes, para a periferia da cidade, de onde partem para ataques esporádicos quando os aviões da Otan não estão à vista.

No entanto, os moradores não sabem confirmar se o Exército saiu da cidade definitivamente.

No principal hospital de Misrata, os médicos sofreram para cuidar dos feridos. Um porta-voz dos rebeldes, Sami, disse que a situação humanitária está piorando rapidamente.

"É indescritível. O hospital é muito pequeno, está lotado com feridos, a maioria em condições criticas", disse em entrevista à Reuters por telefone. "A comida disponível na cidade também está diminuindo. O estado da cidade está deteriorando por conta do cerco de dois meses".

Christophe Simon/France Presse
Rebelde líbio descansa em área destruída pelas disputas contra as tropas de Gaddafi em Misrata

ITÁLIA ENVIARÁ AVIÕES

A Itália concordou em realizar bombardeios aéreos contra "alvos específicos" na Líbia, segundo um comunicado emitido nesta segunda-feira pelo governo.

A nota informa que o primeiro-ministro Silvio Berlusconi manteve uma conversa, por telefone, com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, durante a qual foi discutida a situação na Líbia.

"Durante a conversa, o primeiro-ministro Berlusconi informou o presidente Obama que a Itália decidiu responder positivamente ao apelo lançado aos aliados pela Otan na reunião do Conselho Atlântico de 14 de abril passado, em Berlim", diz o texto.

De acordo com o comunicado, a decisão foi tomada após "contatos sucessivos" com as autoridades do país e "para aumentar a eficácia da missão" da Otan na Líbia.

"A Itália decidiu aumentar a flexibilidade operativa dos próprios veículos, com ações miradas contra objetivos militares específicos e selecionados no território líbio, na intenção de contribuir para proteger a população civil líbia", destaca o informe.

"As ações descritas estão em absoluta coerência com o que foi autorizado pelo Parlamento, e sobre o que já foi estabelecido no âmbito da ONU e da Otan", garante o texto.

Em declarações à Ansa, o ministro italiano da Defesa, Ignacio La Russa, afirmou que "não serão bombardeios indiscriminados, mas sim, missões com mísseis de precisão, contra objetivos específicos".

Segundo ele, a finalidade deste tipo de ação é "evitar riscos" da população ser atingida pelas tropas do ditador Muammar Gaddafi.

O comunicado do governo também informa que Berlusconi entrará em contato, em breve, com o primeiro-ministro britânico, David Cameron, e com o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, para falar sobre a decisão da Itália.

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