Mundo Segunda-feira, 21 de Novembro de 2011, 14:55 - A | A

Segunda-feira, 21 de Novembro de 2011, 14h:55 - A | A

ONDA DE REVOLTAS

Confrontos no Egito deixam 33 mortos e milhares de feridos

Conflitos entre policiais e manifestantes pró-democracia eclodem pelo terceiro dia; governo culpa grupo de pistoleiros pela violência

DA FOLHA DE SÃO PAULO

Os confrontos entre as forças do governo do Egito e centenas de manifestantes que pedem o fim do regime militar de transição no país já deixaram ao menos 33 mortos desde o sábado, a maioria no Cairo, segundo informaram nesta segunda-feira fontes de um necrotério da capital. Há ainda relatos de ao menos 1.500 feridos.

O conflito se concentra na praça Tahrir, no centro de Cairo, que em fevereiro deste ano foi palco de uma manifestação de 18 dias que derrubou o ex-ditador Hosni Mubarak de suas três décadas no poder. A onda de confrontos atual é a pior desde então.

Os atos de violência foram registrados quando a polícia egípcia tentou desalojar manifestantes da praça Tahir, durante um protesto iniciado na semana passada pela transferência do poder dos militares para os civis.

Os manifestantes pedem o fim do governo militar que se instalou desde a queda de Mubarack, principalmente a saída de Hussein Tantauí, ligado ao antigo regime e hoje chefe do Conselho Supremo das Forças Armadas do país.

Asmaa Waguih/Reuters

Manifestantes se colocam à frente de forças policiais que dispararam gás lacrimogêneo

A polícia usou gás lacrimogêneo e atacou um hospital de campanha enquanto manifestantes arrancavam blocos das vias públicas para lançá-los contra os policiais.

Os enfrentamentos mais violentos ocorrem perto do ministério do Interior, próximo à praça Tharir. Também foram registrados confrontos em outras grandes cidades do Egito, incluindo Alexandria e Suez.

Nesta segunda-feira, o ministro da Cultura, Emad Abu Ghazi, renunciou a seu cargo em protesto contra a violência.

Diante desse contexto de instabilidade, a bolsa do Cairo fechou nesta segunda-feira com queda de 4%.

Na noite de domingo, policiais e soldados atiraram gás lacrimogêneo e prenderam manifestantes na praça, conseguindo gerar a fuga temporária por parte dos presentes. Há relatos não confirmados de que as forças de segurança agrediram participantes dos protestos com cassetetes.

Mais tarde, os manifestantes se reagruparam e retomaram o controle da praça.

Os conflitos continuaram apesar de um acordo conquistado ontem entre o imã Mazhir Shahin, que liderou as rezas de sexta-feira antes dos protestos, e as forças de segurança, permitindo a presença dos manifestantes na praça desde que não se dirigissem a prédios do governo na região.

Um incêndio teve início num prédio nas imediações e os bombeiros tiveram dificuldades para resgatar moradores por causa da ação da polícia contra os manifestantes, o que irritou pedestres que passavam pela área. Alguns moradores do edifício tentavam escalá-lo para ajudar as pessoas que não conseguiam sair de lá.

INFILTRADOS

O responsável pelo setor de segurança do Ministério do Interior do Egito, Sami Sidhom, disse nesta segunda-feira que os distúrbios que estão ocorrendo na praça Tahrir, no Cairo, não são organizados por ativistas, e sim por um grupo de pistoleiros, conhecido no país como "baltaguiya", o que foi negado pelos manifestantes.

O funcionário disse à televisão estatal egípcia que são os pistoleiros infiltrados que estão atacando a polícia e tentando entrar no Ministério do Interior.

Amr Abdallah Dalsh/Reuters

Manifestante atira de volta aos policiais frasco com gás lacrimogêneo durante protesto no Cairo

Sidhom afirmou que se encontrou com representantes dos ativistas e pediu a eles que expulsem esse grupo da praça, para assim poder garantir a segurança da população.

O funcionário disse ainda que foi estabelecido um acordo com os manifestantes para que os ativistas formem comissões populares para organizar os protestos e impedir a ação dos pistoleiros. "Os manifestantes têm todo o direito de reclamar. Nós apenas reclamamos da presença dos 'baltaguiya'", disse o funcionário.

Sidhom disse ainda que os ativistas reconheceram a presença dos pistoleiros mas não cumpriram o acordo na manhã desta segunda-feira. Um representando do Movimento 6 de Abril, no entanto, negou as afirmações do governo.

"Não há infiltrados entre nós. Como o Ministério do Interior pode distinguir entre um infiltrado e um ativista? Suas balas não distinguem", disse o manifestante.

IMPASSE

Nas últimas semanas, manifestantes, em sua maioria islamitas e jovens ativistas, vêm protestando contra um projeto de constituição que, segundo eles, permitiria que os militares mantivessem muito poder. Segundo o projeto, os militares e seu orçamento não ficariam sujeitos a uma supervisão civil.

Na sexta-feira, mais de 50 mil egípcios compareceram à praça Tahrir para pressionar a junta militar a apressar a transferência do poder para um governo civil, depois de o gabinete interino apresentar uma proposta constitucional que reafirma o poder das Forças Armadas.

Os islamitas egípcios, que convocaram a manifestação, querem protestar contra o projeto proposto pelas autoridades, estimando que a prerrogativa corresponde ao futuro Parlamento que deve ser constituído a partir de eleições que começam em 28 de novembro.

O Egito deve realizar eleições parlamentares daqui uma semana, mas o processo pode ser prejudicado se os partidos políticos e o governo não chegarem a um acordo sobre o anteprojeto constitucional, que coloca os militares a salvo de qualquer supervisão parlamentar, potencialmente permitindo que as Forças Armadas desafiem um governo eleito.

Pelo menos 39 partidos e grupos políticos disseram em nota que vão se manifestar para "proteger a democracia e a transferência de poder". Negociações entre os grupos islâmicos e o gabinete foram rompidas.

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