Mundo Sexta-feira, 16 de Dezembro de 2011, 16:48 - A | A

Sexta-feira, 16 de Dezembro de 2011, 16h:48 - A | A

ONDA DE REVOLTAS

Confrontos na praça Tahrir ofuscam contagem de votos no Egito

Segundo informações do governo, pelo menos 99 pessoas ficaram feridas durante tentativas de dispersar a manifestação

DA FOLHA DE SÃO PAULO

Tropas egípcias entraram em confronto com manifestantes contrários ao governo militar no poder nesta sexta-feira, na pior onda de violência das últimas semanas, ofuscando a contagem do votos da segunda fase de uma eleição geral histórica.

Pelo menos 99 pessoas ficaram feridas, segundo informou o subsecretário do Ministério da Saúde, Adel Adaui, nas sucessivas tentativas das tropas para dispersar uma manifestação pacífica em frente aos escritórios do gabinete. O protesto pedia a transição imediata para um governo civil, de acordo com a televisão estatal.

Em declarações à agência de notícias estatal egípcia Mena, Adaui detalhou que as vítimas sofreram fraturas e hematomas, e que há pessoas com ferimentos de bala. Ele acrescentou que 16 ambulâncias foram transferidas às imediações da praça de Tahrir para transportar os feridos.

A emissora estatal informou que 32 membros das forças de segurança ficaram feridos, inclusive um oficial atingido por disparos feitos de uma arma que seria dos manifestantes.

Os confrontos, que começaram de madrugada, foram os mais sangrentos desde os cinco dias de protestos em novembro, que mataram mais de 40 pessoas, pouco antes das primeiras eleições parlamentares do Egito desde a saída do ditador Hosni Mubarak, em fevereiro.

Mohammed Abed/France Presse

Manifestantes egípcios jogam pedras em direção às forças de segurança, na praça Tahrir, no Cairo

A violência começou depois que um manifestante ensanguentado disse ter sido preso pelos soldados e agredido, enfurecendo seus colegas, que começaram a atirar pedras nos soldados, segundo testemunhas.

Os manifestantes também atiraram bombas incendiárias conforme os protestos continuavam durante a manhã. Em retaliação, tropas oficiais e a polícia militar atacaram repetidamente a multidão.

"O povo pede a execução do marechal em campo", gritavam em coro, em referência a Hussein Tantawi, chefe do Supremo Conselho das Forças Armadas que assumiu o poder depois da saída de Mubarak.

No começo da tarde, a polícia militar recuou para uma rua lateral, mas os manifestantes foram atacados com pedras por homens à paisana de outro prédio do governo e, como resposta, quebraram as janelas dos escritórios do Ministérios de Transportes.

O blogueiro Mostafa Hussein disse que os manifestantes conseguiram chegar à entrada dos escritórios do gabinete depois de quebrar o portão frontal, mas foram expulsos por um grande número de militares.

Um correspondente da agência France Presse afirma que viu manifestantes ensanguentados sendo levados por seus colegas e uma sequência de prisões. As tropas liberaram posteriormente alguns dos manifestantes detidos.

O conhecido ativista Nur Nur, filho do ex-candidato à presidência Ayman Nur, foi visto atrás de um cordão da polícia militar mancando, com um ferimento na cabeça.

Um oficial militar culpou os manifestantes pela violência, dizendo que os soldados envolvidos nos confrontos tinham a missão de proteger o gabinete e não tentaram interromper a manifestação pacífica.

Mohamed ElBaradei, o ex-chefe de fiscalização nuclear da ONU, dissidente e candidato à presidência, condenou o que chamou de tentativa selvagem de dispersão da manifestação pacífica.

Em uma postagem no twitter, ele indagou: "mesmo se a manifestação fosse ilegal, deveria ter sido dispersada de forma tão selvagem e brutal, que em si é a maior violação de todas as leis e da humanidade?"

ACAMPAMENTO

Dezenas de pessoas mantêm um acampamento na frente da sede do Conselho de Ministros desde que a praça Tahrir foi reaberta ao trânsito no último dia 11 de dezembro para protestar contra o novo governo de transição, dirigido por Kamal Ganzouri, primeiro-ministro entre 1996 e 1999 durante o mandato do ex-ditador Hosni Mubarak.

As imediações da Tahrir foram cenário de violentos choques entre manifestantes e a polícia no final do mês passado, o que originou um grande acampamento na praça contra a Junta Militar e a renúncia do Executivo anterior do primeiro-ministro Essam Sharaf.

Durante o dia de ontem, aconteceu o primeiro turno da segunda etapa das eleições parlamentares em nove províncias do Egito, após a vitória dos islamitas na rodada inaugural do pleito, iniciado no dia 28 de novembro.

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