Mundo Sexta-feira, 13 de Maio de 2011, 16:37 - A | A

Sexta-feira, 13 de Maio de 2011, 16h:37 - A | A

Após boatos, Gaddafi diz que não poderá ser encontrado pela Otan

Na gravação, o ditador condenou ainda o recente ataque da aliança militar à sua casa, classificando-o como covarde

DA FOLHA DE SÃO PAULO

Após rumores de que estaria ferido ou até morto, o ditador da Líbia Muammar Gaddafi disse que "está num lugar onde não pode ser encontrado nem morto", numa fita de áudio transmitida pela TV estatal líbia.

Numa mensagem de áudio de menos de um minuto, o ditador busca silenciar os rumores de que ataques da aliança militar sobre sua casa o teriam ferido.

"Eu estou dizendo a todos os "cruzadistas' que eu estou num lugar onde vocês não podem me encontrar nem me matar", disse.

Na gravação, o ditador condenou ainda o recente ataque da aliança militar à sua casa, classificando-o como "covarde", e agradeceu aos "dirigentes e chefes de Estado" que se interessaram por seu estado de saúde.

"Eu lhes digo: seus bombardeios não me atingirão, milhões de líbios me levam em seus corações", afirmou.

CHANCELER DA ITÁLIA

A mensagem de Gaddafi chega horas após o chanceler da Itália, Franco Frattini, ter afirmado que o ditador "muito provavelmente" deixara a capital Trípoli e "quase certamente" foi ferido.

Frattini disse a jornalistas na Toscana que acredita no que o bispo católico de Trípoli, Giovanni Innocenzo Martinelli, lhe disse.

"Não temos nenhum elemento novo sobre Gaddafi. Penso que é confiável a frase do bispo de Trípoli, monsenhor Martinelli, que disse que é muito provável que Gaddafi esteja fora de Trípoli e possivelmente ferido. Mas não sabemos onde", disse

Já o porta-voz do regime líbio, Ibrahim Moussa, desmentiu à TV árabe Al Arabiya que o ditador esteja ferido ou tenha abandonado a capital líbia.

BOATOS SOBRE MORTE DO DITADOR

Há dois dias, o bispo Martinelli disse estar convencido de que Gaddafi estava vivo, porém em uma zona desértica da Líbia.

Ele baseou sua declaração em observações da capital, "não se vê sinais de luto" relacionados ao ditador. O bispo católico disse que vive entre os líbios e conhece os costumes sociais.

"Se alguém morre há sinais inequívocos, que não passam despercebidos. A morte, o luto, é algo que não se pode esconder. Um ocidental não entende, mas na sociedade árabe-beduína é assim", disse o religioso.

Frattini também disse que não acredita na autenticidade de uma transmissão da TV estatal líbia que mostrou o ditador conversando com supostos líderes tribais em um hotel Trípoli, na última quarta-feira, segundo o jornal italiano "Corriere de la Sera".

"Eu duvido seriamente que aquelas imagens foram gravadas naquele dia e, acima de tudo, que foram feitas em Trípoli", disse o chanceler ao jornal italiano.

As imagens foram divulgadas na TV estatal para negar que Gaddafi morreu em bombardeios da aviação da Otan (aliança militar ocidental) contra o complexo residencial do regime em Bab al Aziziyah, na capital.

Exceto pela transmissão de quarta-feira, o ditador não aparece em público desde que seu filho Saif al Arab e três de seus netos morreram em um bombardeio em 30 de abril.

O governo líbio disse que naquela ocasião Gaddafi estava no local do ataque, mas escapou sem ferimentos.

NOVO GOVERNO

Frattini também deu declarações sobre o prolongamento dos conflitos na Líbia e disse que é possível a formação de um governo de unidade no país. Ele englobaria setores do regime atual e o CNT (Conselho Nacional de Transição), formado pelos rebeldes.

"Em Trípoli há interlocutores possíveis, também dentro do governo de Gaddafi. Eles podem ser considerados também pelo CNT de Banghazi para um governo de unidade nacional", disse o ministro.

Questionado sobre quais seriam os nomes de dentro do governo do ditador, o chanceler disse que não poderia citar nomes por razões de segurança, mas afirmou que são "aqueles considerados moderados".

Segundo Frattini, o atual regime já está dando mostras de dissolução interna, demonstrando a "abertura de uma brecha". Ele afirmou ter esperança de que o regime "implodisse".

O chanceler italiano disse ainda que um acordo de cessar-fogo não poder provocar a divisão territorial do país. Atualmente, os rebeldes controlam militarmente a Cirenaica, no leste da Líbia, e Gaddafi a Tripolitânia, no oeste.

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