Mundo Sábado, 29 de Outubro de 2011, 09:53 - A | A

Sábado, 29 de Outubro de 2011, 09h:53 - A | A

TRAGÉDIA

Agravamento das inundações coloca capital da Tailândia em alerta

Enchentes já causaram ao menos 377 mortes e deixaram mais de 113 mil pessoas desabrigadas

DA FOLHA DE SÃO PAULO

As inundações se estendem neste sábado por Bancoc poucas horas do início da maré alta no golfo da Tailândia, fenômeno que vai colocar à prova a resistência dos diques diante de alerta emitido pelas autoridades de que a barreira poderia se romper.

A maior parte dos bairros do centro velho que fica às margens do rio Chao Phraya amanheceu com 1 metro de água, contaram os moradores da região, que abriga o Grande Palácio Real entre outros simbólicos prédios tailandeses frequentados agora somente pelos poucos turistas no país asiático.

Além dos bairros ao leste, o nível de água subiu em áreas ao norte da cidade, superando os diques que tentavam conter as enchentes que desceram de 28 províncias do planalto central.

Diante do aumento do nível de água ao norte de Bancoc, o governador da capital, Sukhumbhand Paribatra, ordenou a remoção do distrito de Tawi Wattana, com população estimada de 40 mil moradores, embora grande parte deles tenha decidido ficar e buscar proteção nos pontos mais elevados. Dos 50 bairros da capital até o momento, quatro estão totalmente vazios.

Como em dias anteriores, persiste a divergência entre as versões das autoridades locais e o governo central. A primeira-ministra, Yingluck Shinawatra, que nesta semana advertiu que as inundações em partes de Bancoc durariam até um mês, declarou que, com a redução da pressão do fluxo d'água ao norte da metrópole, o cenário poderia se reverter mais rapidamente e situação se recompor em prazo menor.

A declaração da premiê serviu não atenuou o temor e a inquietação entre os habitantes que decidiram ficar na cidade, apesar dos cinco dias de feriado emergencial decretado pelo governo. Conforme fontes oficiais, diante do panorama incerto para os moradores da capital o "feriado" pode ser estendido.

As autoridades aconselharam os habitantes a se preparar para o pior antes do início da maré alta no golfo da Tailândia, um fenômeno que para os analistas pode levar ao transbordamento do rio que serpenteia a cidade, e em consequência, muitos dos bairros ficarem totalmente debaixo d'água.

"A pressão da água vai ser extrema quando a maré alta começar, o que pode causar a ruptura de diques", alertou a Cruz Vermelha Tailandesa aos seus voluntários.

Pornchai Kittiwongsakul/France Presse

Moradores da Tailândia descansam em centro para pessoas desabrigadas em templo budista

Por causa da interrupção de estradas, das rotas de distribuição e do fechamento de milhares de empresas, está cada dia mais difícil comprar alimentos e conseguir dinheiro em espécie nos caixas automáticos dos bancos, que suspenderam em conjunto o atendimento em cerca de 500 de filiais.

Entre os moradores, quem fica procura se equipar com coletes salva-vidas e botes de fibra. Em áreas inundadas ao norte da metrópole, crianças e adultos desafiam às infecções e navegam em patrulhas armadas de caça aos crocodilos que escaparam de criatórios.

Governos de países como Espanha, Reino Unido e Alemanha aconselharam seus cidadãos a adiarem viagens para Bancoc e outras regiões afetadas, se as mesmas não forem essenciais. As enchentes, consideradas as piores no país asiático em meio século, causaram ao menos 377 mortes e deixaram mais de 113 mil pessoas desabrigadas.

O desastre, cujo custo econômico deve ultrapassar os US$ 6 bilhões, começou no fim de julho com o transbordamento de rios e pântanos do norte e na região central, por causa da chuva intermitente de monção e de três tempestades tropicais consecutivas.

O número de prejudicados supera os 2,5 milhões e ao menos 700 mil receberam atendimento médico por causa de infecções e doenças contraídas pelo contato e consumo de água contaminada.

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