Mundo Sexta-feira, 23 de Setembro de 2011, 15:05 - A | A

Sexta-feira, 23 de Setembro de 2011, 15h:05 - A | A

ORIENTE MÉDIO

Abbas pede maior papel da ONU em impasse com Israel

Na Assembleia Geral, líder palestino disse estar aberto ao diálogo e pediu que a Palestina seja reconhecida como Estado pleno

DA FOLHA DE SÃO PAULO

O presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina), Mahmoud Abbas, afirmou durante discurso nesta sexta-feira na 66ª Assembleia Geral da ONU que busca uma solução pacífica para o impasse, mas os "esforços sinceros" feitos nas negociações foram "esmagados" pelo governo de Israel. Ele pediu um maior envolvimento da ONU.

"Esperamos um papel ativo da ONU até que haja paz em nossa região", afirmou. "Precisamos conseguir direitos e legitimidades aos palestinos".

Abbas foi muito aplaudido ao ser anunciado como próximo a discursar pelo presidente da Assembleia, o qatariano, Nassir Abdulaziz Nasser, e saudou a estreia do Sudão do Sul como Estado na ONU.

O líder palestino disse que um ano atrás foram iniciadas negociações de paz em Washington, com apoio do Egito e Jordânia, mas o diálogo foi rompido uma semana depois de serem lançadas.

"O assunto principal aqui é que o governo de Israel se recusa a cumprir resoluções da ONU e continua a construir intensificando colônias no futuro estado da Palestina. Estas políticas desrespeitam o direito internacional", disse.

"Entramos nas negociações com o coração aberto e motivos sinceros, mas as negociações não funcionaram", afirmou, ressaltando que não desistiram do diálogo.

Don Emmert/France Presse

Visão geral da Assembleia mostra momento em que presidente da ANP se dirige aos líderes presentes

ASSENTAMENTOS

Segundo ele, relatórios da ONU e de organizações internacionais denunciam o confisco de terra palestina e construção de centenas de áreas da Cisjordânia, principalmente no Leste de Jerusalém.

Os relatórios da ONU, segundo Abbas, mostram a situação terrível criada pelos assentamentos promovidos por Israel, o que mostraria a falta de abertura à negociação, destruindo a vida familiar e comunidades. Israel impede também que a população palestina tenha acesso a lugares sagrados, disse.

Ao invés de segregar, como o governo israelense faz, disse o líder palestino, os dois lados devem cooperar e contruir relações de cooperação por um "futuro melhor". "Estou aqui para dizer que estendemos as mãos para o governo e o povo israelense para chegarmos à paz. Vamos urgentemente construir juntos um futuro para nossas crianças", pediu.

De acordo com o presidente da ANP, a potência ocupante continua proibindo que palestinos construam no Leste de Jerusalém e os afasta de sua terra ancestral, além de suas forças atacarem civis inocentes.

DIÁLOGO

Abbas afirmou que, apesar de ter pedido adesão como Estado pleno à ONU, a Palestina está aberta para retornar às negociações, desde que haja o respeito às resoluções internacionais e a suspensão da política de assentamentos. Segundo ele, o objetivo não é ilhar Israel, mas conquistar legitimidade para os palestinos e construir os pilares democráticos como base eles.

"O estado que queremos será caracterizado pelo direito, pela democracia e pela igualdade", afirmou. "Esse é o momento da verdade. Nosso povo espera ouvir a resposta do mundo. Ele deixará que a ocupação continue em nossa terra? Nós somos o último povo mundial sob política de ocupação".

É tempo de nossos homens, crianças e mulheres viverem vidas normais, as mães terem certeza de que seus filhos voltarão para casa em segurança. meu povo merece o direito de exercer uma vida comum, como o resto da humanidade.

Abbas lembrou ainda que, em 1964, o líder Iasser Arafat disse na Assembleia Geral que eles estavam comprometidos com a paz e pediu que "não deixassem que o galho de oliveira caia da minha mão". "Era um passo difícil para todos nós", reforçou.

"Ainda assim porque, acreditávamos na paz e porque tínhamos a coragem de tomar esta decisão, decidimos adotar o caminho da justiça possível. Aceitamos um Estado Palestina em apenas 22% do território original. Uma grande concessão para podermos ter paz".

Bernat Armangue/Associated Press

Multidão palestina acompanha discurso de Mahmoud Abbas em telão colocado na cidade de Ramallah

RECONHECIMENTO

O líder palestino disse que é chegado o momento dos palestinos viverem em um país independente e, por isso, submeteu a aplicação de pedido pelo reconhecimento do Estado Palestino. Mostrando o papel, pediu a Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, que o transmitisse ao Conselho de Segurança.

"Não acredito que qualquer pessoa em plena consciência seria capaz de rejeitar nosso pedido de reconhecimento como Estado pleno na ONU", afirmou. "Peço que os Estados membros nos reconheçam".

Mais cedo, em reunião com Ban Ki-moon, Abbas entregou o documento com o pedido formal de adesão do Estado da Palestina como 194º membro da Assembleia Geral da organização com as fronteiras anteriores a 1967.

Abbas mostrou uma cópia da carta entregue à Ban e pediu aos membros do Conselho de Segurança da ONU que votem a favor do reconhecimento palestino como Estado pleno, o que seria, segundo ele, uma vitória da paz, justiça, lei e legitimidade internacional.

Ele disse ainda que o apoio demonstrado por diversos países é muito importante para o povo palestino. "O Estado palestino deveria ter sido constituído há anos", ressaltou. "Chegou a hora para meu povo valente viver livre e com um Estado independente".

Um porta-voz da ONU, Farhan Haq, confirmou a entrega formal da solicitação do reconhecimento da Autoridade Nacional Palestina como Estado pleno de direito ao secretário-geral, que agora terá que avaliar o documento e enviá-la ao Conselho de Segurança.

O pedido palestino de adesão à ONU será estudado com rapidez e envidado ao Conselho de Segurança da ONU, afirmou o porta-voz da organização, Martin Nesirky.

Falando depois da reunião do presidente palestino com o secretário-geral da ONU Ban Ki-moon, o porta-voz acrescentou: "O procedimento apropriado será rapidamente tomado no secretariado e posteriormente transmitido ao presidente do Conselho de Segurança e ao presidente da Assembleia Geral".

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