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Quarta-feira, 10 de Agosto de 2011, 20h:18

Centro-Oeste, Mato Grosso - 3

Em 1980, o censo apontava Mato Grosso com 1.139.000 habitantes, contra os magros 598 mil de 1970, dez anos antes. Os 38 municípios de 1977, época da divisão do estado para criar Mato Grosso do Sul, saltaram para os atuais 141.

ONOFRE RIBEIRO

Edison Rodrigues/Secom/MT

No primeiro e no segundo artigo recordei a ocupação do Centro-Oeste brasileiro, que veio resultar nesse crescimento extraordinário de Mato Grosso, em particular. Mas deixei de fazer justiça ao período anterior a Brasília, na época do presidente Getúlio Vargas que percebeu a necessidade de ocupar o Centro-Oeste do país. No começo da década de 1940 o presidente determinou a criação da Expedição Roncador-Xingu, formalizada em 1943, para iniciar a povoação da imensa região. Mais tarde a expedição acabou e resultou na antiga Fundação Brasil Central, em 1967 transformada em Sudeco-Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste, extinta em 1990 e reativada neste ano.

Brasília veio depois da Expedição, em 1956, e o resto da história nós já conhecemos. Mas gostaria de particularizar Mato Grosso dentro desse contexto histórico. Os militares que governaram o Brasil entre 1964 e 1985, tiveram um olhar muito específico e estratégico para o Centro-Oeste e para a Amazônia, a partir de 1971, no governo do general Emílio Garrastazu Médici. Era um momento de forte expansão do socialismo no mundo e na América Latina. Os militares entenderam que precisavam ocupar o Brasil Central por iss, também, e mais por razões sociais e econômicas.

Entre delas, os profundos problemas sociais no Sul do Brasil, no Rio Grande do Sul, com os descendentes dos antigos, então exauridos, minifúndios de 25 hectares doados no final do século 19 e começo do século 20 para famílias de imigrantes estrangeiros. Outra questão foram as geadas no Paraná que acabaram com a tradição do café e atacaram as lavouras de soja, provocando uma quebradeira geral.

Isso acelerou a ocupação do Centro-Oeste, mas com vistas à Amazônia. A idéia era ocupar parte da Amazônia subindo do Sul para o Norte de Mato Grosso. É bom lembrar que a agricultura sulista que surgiu na região de Canarana, com os primeiros gaúchos trazidos pelo pastor luterano de Santa Rosa (RS), Norberto Schwantes, não aplicava tecnologias de cerrado, que só mais tarde seriam desenvolvidas pela Embrapa.

O maior centro urbano de Mato Grosso era Cuiabá. Para viabilizar a ocupação, os militares tomaram três iniciativas primordiais: pavimentaram as rodovias BR-163 de Campo Grande e a BR-364 de Goiânia até Cuiabá. Trouxeram o primeiro linhão de energia elétrica desde Cachoeira Dourada (GO) até Cuiabá, e se implantou a Universidade Federal de Mato Grosso, em Cuiabá.

Ao mesmo tempo, os militares iniciaram, através do recém-transferido do Rio Grande do Sul, o 9º.Batalhão de Engenharia e Construção do Exército, sob o comando do então coronel José Meirelles a abertura dos 1.780 km da legendária rodovia BR-163 de Cuiabá até Santarém. O seu propósito era o de integrar o Rio Grande do Sul ao porto fluvial de Santarém, cortando longitudinalmente o país. O porto de Santarém dá acesso ao rio Amazonas e ao oceano Atlântico. Coroava o propósito de integrar a Amazônia, além de cortar as ricas regiões de Mato Grosso e do Pará.

Em 1980, o censo apontava Mato Grosso com 1.139.000 habitantes, contra os magros 598 mil de 1970, dez anos antes. Os 38 municípios de 1977, época da divisão do estado para criar Mato Grosso do Sul, saltaram para os atuais 141.

Mas aí, é outra história que continua amanhã, contando com a sua paciência.

(*) ONOFRE RIBEIRO é jornalista em Mato Grosso e secretário-adjunto de Comunicação do Governo do Estado. E-mail: onofreribeiro@terra.com.br