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Terça-feira, 02 de Agosto de 2011, 07h:23

Balão causa problema com sensores de avião da TAM no Rio de Janeiro

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) ainda investiga o caso e classifica o incidente como grave

PORTAL G1

Dois anos após a tragédia com o voo AF 447, a colisão de um avião com um balão no Rio de Janeiro causou uma situação semelhante à enfrentada pelos pilotos do Airbus da Air France que caiu no Oceano Atlântico, em 1º de julho de 2009, deixando 228 mortos.

O caso aconteceu no último dia 17 de junho com o voo 3756 da TAM que partiu do Aeroporto Santos Dumont às 8h54, com destino a Confins, em Belo Horizonte. Dados obtidos apontam que a aeronave chocou-se com o balão 6 minutos após a decolagem, a cerca de 10 mil pés de altitude (mais de 3 mil metros).

O artefato obstruiu um dos pitots do Airbus A-319, sensor que transmite informações sobre altitude e velocidade. Mas os pilotos perceberam que estavam sem nenhuma informação válida na cabine e, com o desligamento do piloto automático, conseguiram manter o avião manualmente até o pouso, às 9h48, em Minas Gerais.

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) ainda investiga o caso e classifica o incidente como grave.

No Airbus A330 da Air France, a falha nos sensores ocorreu por causa do congelamento dos pitots, durante uma tempestade a 35 mil pés (mais de 10,6 mil metros). Os pilotos tinham pouca visibilidade também por ser de madrugada (2h14). O incidente com a TAM aconteceu numa manhã de sol, e os pilotos possuíam referências visuais e conseguiram assim realizar o pouso.

Segurança

O chefe do Cenipa, Brigadeiro Carlos Alberto da Conceição, considerou o incidente como grave e enviará nesta segunda-feira (1º) à Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) um pedido para que as secretarias de segurança dos estados tomem providências para evitar a prática de balões próximos a aeroportos.

Só em 2010 foram reportados pelos pilotos de avião civil mais de 100 casos de avistamento de balões próximo a aeroportos. O maior registro é em Cumbica (52 casos), seguido de Viracopos (27), Galeão (19) e Congonhas (18).

Crime

A Aeronáutica informa que, além de comprometer a segurança de voo, soltar balão é crime ambiental previsto pelo artigo 42 da lei nº 9.605. Pelo texto, qualquer pessoa que fabricar, vender, transportar ou soltar balões pode ser condenado a uma pena de detenção que varia de 1 ano a 3 anos e multa.

Preso em flagrante, pelas mudanças na Lei de Execuções Penais, a pessoa poderá responder o processo em liberdade, mas o juiz poderá exigir uma fiança de até 200 salários mínimos, cujo valor pode ser multiplicado até por mil vezes, dependendo da gravidade do delito.