HiperNotícias - Você bem informado

Segunda-feira, 18 de Julho de 2011, 11h:07

Frase pinçada

Não raro, temos o hábito de, após a leitura de um trecho ou de mantermos um diálogo, pinçarmos deles algumas frases. Frases que muitas vezes, fora do seu contexto, ganham uma interpretação distorcida. Às vezes é a maldade que nos compele a essa ação

GABRIEL NOVIS NEVES

Steffano Scarabottolo

Não raro, temos o hábito de, após a leitura de um trecho ou de mantermos um diálogo, pinçarmos deles algumas frases. Frases que muitas vezes, fora do seu contexto, ganham uma interpretação totalmente distorcida.

Às vezes é a maldade que nos compele a essa ação. Outras vezes, porém, é por termos apreciado, ou nos identificarmos com a frase.

"Se já admirava você, agora te amo".

Essas palavras extraí de um longo diálogo que mantive há poucos dias com um velho e querido amigo.

Dita fora do contexto da conversa pode soar como uma declaração de agradecimento. Não deixa de ser, entretanto, sem necessidade.

Digo mais, de generosidade, de reconhecimento, de fraternidade e, acima de tudo, de uma profunda amizade.

Amigos... Ao longo de minha vida angariei muitos conhecidos, inúmeros colegas, incontáveis companheiros de jornada, mas, amigos, foram poucos. E esses poucos amigos procuro tratá-los com verdadeiro sentimento da amizade: condescendência, lealdade e respeito. E é recíproca a troca desses sentimentos.

Repito: pincei aquela frase do diálogo com um amigo distante.
Mas a distância não diminui a intensidade da verdadeira amizade. Passo anos sem ver ou conversar com este amigo e, quando nos encontramos, é como se acabássemos de nos ver.

Assim é a amizade.

A amizade verdadeira sobrevive às mais variadas situações, principalmente, as do poder e as do sucesso. Todas aquelas situações que costumam ser efêmeras, na maioria das vezes.

Não a considero uma simples frase pinçada de uma longa conversa, mas o depoimento despojado de um amigo que está no pólo inferior do mundo que gira, colocando-o, momentaneamente, em posição desconfortável. É o resumo de uma realidade que todos os dias acompanhamos, com personagens diferentes.

Fui educado para a "vida vivida e não inventada".

Cedo me vacinei contra o mal do poder e da amizade interesseira. Aqueles que não acreditam em prevenção, são vítimas da vaidade - um pecado capital.

Os seus portadores têm necessidade de serem admirados, elogiados, já que sentem o orgulho tolo de si mesmos.

Aquela frase final era a síntese de uma amizade sincera.

Pincei-a por pura emoção. Nada mais do que isto.

E também para dizer ao amigo que é bom termos poucos, ou mesmo um amigo somente.

No meu entender, quem tem um amigo, nunca estará sozinho.

(*) GABRIEL NOVIS NEVES é médico, professor universitário e colaborar de HiperNoticias. E-mail: borbon@terra.com.br