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Terça-feira, 05 de Julho de 2011, 15h:39

Chávez preside à distância desfile militar do bicentenário da Venezuela

Presidente se recupera de operação para retirada de tumor cancerígeno

G1

Reuters
O presidente da Venezuela durante a cerimônia no Palácio Miraflores, em Caracas
O presidente Hugo Chávez, que se restabelece de uma operação para a retirada de um câncer, presidiu nesta terça-feira (5), à distância, a partir do palácio presidencial de Miraflores, em Caracas, o desfile militar do bicentenário de independência da Venezuela.

No dia seguinte ao retorno de Cuba, onde se submeteu à cirurgia, o líder do socialismo de Estado latino-americano, saudou a nova independência da Venezuela, que arrancou, segundo ele, sob o seu mandato, desde sua primeira eleição triunfal, em 1998. E essa nova independência seria em relação aos interesses multinacionais, das potências estrangeiras, da burguesia venezuelana, explicou.

"Não temos melhor maneira de celebrar este dia esperado por tanto tempo do que sendo independentes, como somos novamente. Não somos mais uma colônia, de quem quer que seja, e não o seremos jamais", declarou ele, do palácio presidencial, a uma multidão aglomerada em outro ponto de Caracas, em torno de uma avenida aonde foi realizado um desfile militar com fausto.

A multidão pôde acompanhar o breve discurso de Chavez de uma tela gigante. Os militares aproveitaram para render homenagem ao presidente.

Chávez, de 56 anos, nacionalizou, desde que chegou ao poder, setores cruciais da economia, como o dos hidrocarbonetos, e colocou em prática numerosos programas sociais voltados para a saúde e a educação das camadas menos desfavorecidas da população, que afirmam ter encontrado, finalmente, "dignidade", nesta potência petrolífera de desigualdades sociais gritantes.

CIRURGIA

O presidente venezuelano foi acolhido, na véspera, por milhares de simpatizantes, diante do palácio de Miraflores. Ele havia advertido, no entanto, que não poderia assistir pessoalmente ao desfile militar de comemoração do bicentenário de independência da Venezuela, proclamado no dia 5 de julho de 1811 pelo Congresso.

Chávez foi submetido, no dia 20 de junho, em Cuba, a uma cirurgia para a retirada de um tumor canceroso na "zona pélvica". Mas nada se sabe sobre a gravidade da doença e a natureza de seu tratamento.

Os ministros das Relações Exteriores de vários países da América Latina foram a Caracas para as celebrações, assim como os presidentes uruguaio, José Mujica; paraguaio, Fernando Lugo, e boliviano, Evo Morales.

"Após ter perdido esta independência que lhe custou tanto, a Venezuela, nos últimos anos, voltou a recuperá-la", declarou nesta terça-feira o chefe de Estado.

Chávez convidou os cidadãos a festejarem, juntos, em 2021, o bicentenário da batalha de Carabobo, que marcou definitivamente a derrota das tropas espanholas e a independência efetiva da Venezuela, dez anos após sua proclamação.

ELEIÇÃO

O presidente é candidato à própria sucessão na eleição presidencial do final de 2012, e jamais escondeu que quer governar até 2021.

"Caminhamos para, no dia 24 de junho de 2021, comemorarmos os 200 anos da consolidação da independência nacional. Para lá vamos, com a ajuda de Deus (...) Este não é só o retorno de Chávez, mas da independência plena", disse Chávez.

"Aqui estou, em recuperação, mas ainda recuperado-me. Iniciamos outra longa marcha", disse.

"Estou com vocês de corpo e alma. Graças a Deus, graças a minha vida, graças a meu povo por ter-me permitido, apesar das grandes dificuldades, estar aqui plenamente com vocês, como estou hoje, nesta festa de nossa pátria", concluiu Chávez.