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Terça-feira, 17 de Maio de 2011, 14h:13

Morte de Bin Laden pode abrir precedente internacional, diz relatório

DA BBC BRASIL

A morte de Osama Bin Laden pode abrir um precedente para assassinatos cometidos por Estados no futuro, sugere um relatório escrito por parlamentares britânicos.

De acordo com o documento, "a natureza do assassinato de Bin Laden pode ser sinal de que os EUA teriam tendência cada vez maior de matar membros da Al Qaeda do que capturá-los".

"Uma implicação maior é que a morte possa ser vista como precedente para o assassinato de indivíduos por qualquer país, além de fronteiras nacionais, pelo menos quando envolver terrorismo."

Preparado pela Câmara dos Comuns --a Câmara dos Deputados do Parlamento do Reino Unido--, o relatório diz ainda que "quanto mais Estados agirem assim, mais aceitável, pelo menos politicamente, se torna, mesmo que não o seja em termos das leis internacionais."

GADDAFI

Os EUA dizem que a operação que matou Bin Laden foi legal, mas críticos dizem que ele deveria ter sido capturado vivo.

O relatório britânico diz que muitas das questões referentes à legalidade da operação só poderiam ser respondidas se o governo americano revelasse as instruções dadas para os agentes envolvidos, quais os esforços feitos para pressionar Bin Laden a se render e qual ameaça ele representava naquele momento.

Ao contrário da primeira versão divulgada pela Casa Branca, o governo americano disse posteriormente que Osama bin Laden estava desarmado na hora do assassinato.

O relatório britânico diz ainda que a morte do líder da Al Qaeda pode ter consequências nas operações da Otan na Líbia, já que "alguns dos argumentos usados para justificar a legalidade do assassinato de Bin Laden poderiam ser aplicados se as forças da coalizão matassem o coronel Gaddafi."

Os integrantes da coalizão dizem que a resolução da ONU não os autoriza a alvejar o líder líbio, mas afirmam que instalações de comando, incluindo locais usados por Gaddafi e sua família, são alvos legítimos se estes forem usados para dirigir ataques contra civis.