Economia Quarta-feira, 15 de Junho de 2011, 17:10 - A | A

Quarta-feira, 15 de Junho de 2011, 17h:10 - A | A

Petrobras vai mostrar a investidores plano de negócios para fazer caixa

Ações da petrolífera tocaram na semana passada o nível mais baixo desde março de 2009

DA REUTERS

A Petrobras apresentará na sexta-feira a seu conselho de administração uma versão revisada do plano de negócios para o período de 2011 a 2015, preparada para mostrar o potencial da companhia de gerar caixa, afastando o risco de uma nova capitalização --um grande temor dos investidores da estatal.

Segundo várias fontes inteiradas sobre o processo de revisão do plano --depois que uma primeira versão foi rejeitada pelo conselho no dia 13 de maio--, a nova proposta vai seguir o desejo de muitos acionistas e não elevará investimentos em refinarias.

Deverão crescer os recursos voltados para novas descobertas e a exploração da chamada cessão onerosa, que reúne áreas com 5 bilhões de barris de petróleo trocadas com a União por ações da empresa durante a bilionária capitalização de setembro do ano passado.

"Só na última semana anunciamos três descobertas. Tem que jogar carga em E&P (Exploração e Produção), é isso que alavanca a companhia", disse uma das fontes pedindo anonimato e referindo-se a descobertas divulgadas no Golfo do México, bacia do Espírito Santo e na bacia Pará-Maranhão com a chinesa Sinopec.

Na semana anterior a empresa informou aumento de produção em uma área considerada uma nova fronteira na bacia de Santos.

Com um caixa maior, turbinado por mais produção em meio a preços elevados de petróleo, a empresa reduz a necessidade de acessar o mercado de dívida ou de ações para financiar os vários projetos na região do pré-sal e pós-sal no Brasil, além dos promissores projetos fora do país como a parte norte-americana do Golfo do México.

SOB MEDIDA.

Esta será a segunda tentativa de aprovação do plano pelo conselho, após a rejeição da primeira versão que previa um valor de investimentos em 5 anos de quase US$ 250 bilhões, segundo fontes, montante que foi considerado excessivo principalmente pelo governo, que pediu a revisão.

Segundo as fontes ouvidas pela Reuters, o novo valor que será apresentado ao conselho na sexta ficará bem perto dos 224 bilhões de dólares do plano anterior (2010-2014). O número final ainda não foi fechado, segundo elas.

"O mercado vai gostar. Algumas datas de refinarias serão empurradas para frente e toda a carga vai para exploração e produção... Na bacia de Campos, por exemplo, temos 85% de acerto, tem que investir para produzir lá", disse uma fonte dentro da empresa, pedindo anonimato.

Sem dar detalhes, outra fonte explicou que apesar de "quase pronto" o plano ainda está sendo ajustado. A aprovação, no entanto, não é dada como certa.

"Depende do conselho, não tem nada certo, mas já demorou tempo demais. Acho que dessa vez vai", avaliou uma das fontes.

No ano passado, o Plano de Negócios 2010-2014 também foi divulgado em junho. A área de Exploração e Produção ficou com 53% do total, enquanto a área de Abastecimento obteve 33%. No plano anterior, 2009-2013, que previa investimentos de 174,4 bilhões de dólares, a área de E&P havia ficado com 59% e Abastecimento com 25%.

A elevação dos recursos para a área de Abastecimento de um ano para outro foi lida pelo mercado como, de certa forma, uma interferência política para que a empresa construísse refinarias no Nordeste do país.

EVENTUAL FÔLEGO PARA AÇÃO

O analista Erick Scott, da SLW Corretora, afirmou não esperar grandes surpresas no novo plano. A torcida é realmente para que venha "muito mais E&P e menos Abastecimento", e que o valor programado não suba muito em relação ao plano anterior.

Dependendo do resultado, e dos humores na Europa e outros mercados que passam por turbulências nos últimos tempos, as debilitadas ações da companhia podem receber um bom estímulo.

"Vai depender muito do cenário externo, mas olhando apenas para a companhia, se não vier nenhuma novidade, ou capitalização, ou necessidade de muito dinheiro novo, pode fazer um gás no papel sim", avaliou o analista.

Na terça-feira da semana passada, as preferenciais da estatal tocaram o nível mais baixo desde março de 2009, quando o mundo vivia uma crise financeira, atingindo o valor de 23 reais. No ano os papéis acumulam perda de cerca de 12%, próximo à perda de 10% do Ibovespa.

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