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Economia Terça-feira, 09 de Junho de 2026, 17:30 - A | A

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Terça-feira, 09 de Junho de 2026, 17h:30 - A | A

Em pregão volátil, taxas de juros zeram queda e encerram de lado com fatores técnicos

CONTEÚDO ESTADÃO
da Redação

O tímido alívio na curva de juros futuros observado na primeira etapa da sessão desta terça-feira, 9, mais apoiado na queda do petróleo do que em uma melhora dos fundamentos locais, teve vida curta e foi totalmente revertido rumo ao final do dia.

Por volta das 16 horas, os vértices intermediários e longos, que devolviam parte do estresse observado nos últimos dias, em um primeiro momento apagaram a queda e, em seguida, passaram a abrir mais de 50 pontos-base, renovando máximas intradia.

O movimento perdeu ímpeto no fim do dia e, segundo profissionais do mercado, não teve um gatilho específico, mas refletiu continuidade de ajustes técnicos após nova reprecificação da trajetória da Selic, com grandes players do mercado zerando posições aplicadas, ou seja, que apostam na queda das taxas à frente.

Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 oscilou de 14,473% no ajuste de segunda a 14,48%. O DI para janeiro de 2029 passou a 14,92%, vindo de 14,928% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2031 aumentou de 14,774% no ajuste antecedente a 14,755%.

Um gestor da mesa de títulos públicos de uma grande corretora avalia que, assim como observado ontem, a zeragem de posições aplicadas apagou o efeito do recuo do petróleo sobre a curva de DIs ao longo da tarde.

Ainda que tenha se afastado das mínimas do dia, o petróleo Brent para agosto, que serve de referência para a Petrobras, encerrou o pregão em queda de 2,97%, a US$ 91,45 o barril, diante das expectativas de que um acordo entre EUA e Irã seja alcançado em breve.

"Não tem como explicar uma dinâmica assim nos juros", afirmou o gestor à Broadcast (sistema de nitícias em tempo real do Grupo Estado), sob anonimato. Enquanto os juros futuros ganhavam impulso na hora da formação dos preços de ajuste, entre 16h10 e 16h20, os contratos futuros de petróleo seguiam caindo na ordem de 3%, ao mesmo tempo em que os retornos dos Treasuries cediam.

Para Luis Felipe Vital, estrategista-chefe de Macro e Dívida Pública da Warren Investimentos, a oscilação dos DIs vista nesta terça foi muito mais técnica do que motivada pelo fluxo de notícias externo ou doméstico. "Há uma expectativa grande em relação ao que virá do Copom, e o pessoal está ajustando suas posições em relação a essa mudança de cenário", explicou.

A Warren ainda não alterou suas estimativas para a Selic, mas Vital antecipa que a casa está discutindo a possibilidade de que a taxa permaneça nos atuais 14,50% por um período maior do que o previsto anteriormente. "Ainda não estamos falando em alta, mas considerando se o Banco Central vai ter espaço para cortar juros", disse.

Sócio e economista-chefe da Bravonte Capital, Eduardo Velho aponta em relatório que o BC deveria manter a Selic em 14,50% na próxima semana. O custo de não tomar esta decisão, de acordo com ele, seria elevar ainda mais os juros médios e longos depois da reunião do Copom, elevando também o custo da dívida nos leilões do Tesouro.

No certame desta terça-feira, em meio ao estresse observado no mercado de renda fixa nas sessões recentes, a autoridade fiscal optou por ofertar um lote de apenas 150 mil Notas do Tesouro Nacional - Série B (NTN-B), das quais 133,4 mil foram absorvidas pelo mercado.

Ainda que sem influência nas taxas, houve outro balde de água fria na perspectiva de que Irã e Estados Unidos chegarão a um acordo. Até o início da tarde, reafirmações do presidente Donald Trump de que uma resolução está próxima ajudaram a derrubar cotações do óleo e, por consequência, a moderar os Dis.

No final do período, porém, uma fonte iraniana negou à agência local Fars que Teerã teria enviado uma nova oferta de acordo de paz a Washington. Mais cedo, a Sky News havia informado que outro rascunho foi submetido aos EUA.

(Com Agência Estado)

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