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Cidades Domingo, 16 de Julho de 2023, 14:49 - A | A

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Domingo, 16 de Julho de 2023, 14h:49 - A | A

“MITO DA SOCIEDADE CUIABANA”

Fracasso do VLT vira filme de estudantes que buscam fomentar curso de Cinema da UFMT

Curta produzido por alunos traz debates sobre fracassos, baixos orçamentos e promessas vivenciadas, tanto no cenário audiovisual quanto na obra do modal

AMANDA GARCIA
Da Redação

Crédito: Eduardo Reis

Filmagens realizadas nos trilhos do VLT que ainda não foram removidos, na Av. Fernando Corrêa

Filmagens realizadas nos trilhos do VLT que ainda não foram removidos, na Av. Fernando Corrêa

Conhecido nacionalmente por seu orçamento bilionário, o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), promessa de modal que nunca chegou a ser inaugurado entre Cuiabá e Várzea Grande, será tema de um filme produzido por estudantes de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Ao HNT, o roteirista e um dos diretores do curta ‘VLT: VERI LONGUE TREVELLIN’, Pablo Borges Paz, contou os motivos para produzir um filme que traga debates em torno do modal fracassado.

“O VLT é esse mito da sociedade cuiabana. Então, fazer um filme regional que fale e se relacione com a população de Cuiabá e do Estado é o suficiente. Principalmente se o VLT filme tiver o impacto que o VLT modal não teve, até porque ele nunca foi construído, e discutir também um pouco sobre o nosso subdesenvolvimento, no sentido de entender os motivos de ele nunca ter sido feito”, disse.

Crédito: Eduardo Reis

VLT O FILME

Parte das gravações ocorreram na própria Universidade Federal de Mato Grosso, no Instituto de Linguagem (IL)

Entusiasta da sétima arte, Pablo explicou que o filme será sobre ‘fracassos’, visto que a história conta a tentativa fracassada de estudantes em tentar fazer um filme sem orçamento, um dos principais problemas enfrentados pelo setor audiovisual no Brasil. Conforme o estudante, apesar de orçamento não ter sido um dos ‘empecilhos’ para a conclusão do modal, a imagem que se tem hoje é de apenas uma obra fracassada e inacabada.

“O filme vai contar a história de histórias de estudantes de Cinema e Audiovisual que tentam fazer um filme sobre o VLT, mas eles nunca conseguem por falta de orçamento. É um filme sobre fracasso e o que é o fracasso, visto que narra a fracassada tentativa de estudantes em produzir um filme. No decorrer da história, eles fracassam por várias razões, desde a falta de orçamento até a falta de motivação. Assim como o VLT, que é uma obra fracassada e que nunca saiu do lugar. Como moradores de Cuiabá, nós estamos presenciando a remoção dos trilhos e foi daí que surgiu a ideia em fazer essa analogia, de como não conseguimos fazer as coisas e por quê”, explicou.

‘MERGULHAR NO CUIABANO’

Cuiabá é muito fechada, as coisas demoram para acontecer aqui, mas o que é mais triste é que isso não acontece por falta de potencial, até porque eu vejo muita coisa boa aqui, ela pode ser muita coisa. Ser de fora e fazer esse filme é uma tentativa de mergulhar no cuiabano 

Ao comentar sobre a produção do filme, Pablo contou que o projeto é uma ‘tentativa de mergulhar no 'cuiabano’. Natural de Minas Gerais, no Triângulo Mineiro, o estudante enfatizou sobre a importância de fomentar a cultura local e todas as possibilidades, diante de Cuiabá.

“O roteiro foi escrito por mim, que sou de Minas Gerais, e pelo Antônio Cuyabano, que é de Caçapava, São Paulo. Quem vai dirigir sou eu e o Michell Miranda, que é daqui de Cuiabá, nascido e criado. As pessoas de fora que fazem Cinema aqui têm muito a visão de vir pra cá, estudar e ir embora. Esse filme é tentativa de tentar criar raízes aqui, de tentar participar mesmo da cidade, até porque a gente vive dentro da universidade, que é um espaço público, mas, também, somos moradores”, contou.

Crédito: Eduardo Reis

VLT O FILME

À esquerda Michell Miranda e à direita Pablo Borges, diretores do filme VLT: VERI LONGUE TREVELLIN

CINEMA E AUDIOVISUAL EM PAUTA

Em conversa com o HNT, Pablo ainda destacou a importância em fomentar o audiovisual mato-grossense. Na ocasião, ele citou principalmente as dificuldades em torno da produção, justamente pela ausência de estrutura e fomento ao audiovisual local.

“Como estudante de cinema, a ideia principal do filme é dar visibilidade ao curso. Eu imagino que a maioria das pessoas que moram em Cuiabá não faz ideia de que existe um curso de Cinema e Audiovisual aqui na Universidade Federal de Mato Grosso, que é gratuita e pública, e qualquer pessoa pode ter acesso. A segunda é trazer estrutura cinematográfica para o curso, conseguir fazer coisas que no eixo Rio-SãoPaulo é mais fácil de fazer, como gravar um filme com equipamento, parcerias e profissionalização para a Universidade e expandir tudo o que aprendemos aqui”, concluiu.

 

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Keila Sandra Spessoto 21/07/2023

Parabéns pelo assunto abordado, espero que o curso de audiovisual prospere, pois a valorização cultural da sétima arte em MT é ínfima.

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