Terça-Feira, 21 de Agosto de 2018, 11h:20

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Artista rondonopolitano lança livro “livre” nesta terça-feira

Por: ANA FLÁVIA CORRÊA

“Aqui, as palavras são entes viventes que querem se despir de um sentido obrigatório, despregar-se do quadrante das páginas”, é como define a diretora Ângela Coradini sobre o livro Manifesto da Manifesta, de Caio Augusto Ribeiro. O artista rondonopolitano lança sua terceira obra nesta terça-feira (21), às 19h, na Academia Mato-Grossense de Letras.

 

Luiz Marchetti

Caio Augusto Ribeiro

 

Sob influência de Wlademir Dias Pino, Silva Freire e até Yoko Ono, Caio criou seu livro “livre”, em que as palavras não cabem dentro das páginas ou guardadas na estante. Em seu manifesto, alguns dos poemas são destacáveis e podem ser colados pela cidade, no conceito de lambe-lambe.

 

“O livro foi construído a partir de uma pesquisa que fiz com lambe-lambe – que é basicamente um cartaz com conteúdo artístico e crítico colocado em espaços públicos. É uma forma de intervenção criativa na cidade, com o poder de despertar nas pessoas para reflexões que em geral não estão presentes no nosso dia a dia”, explicou.  

 

O processo de criação do artista se baseou em pesquisa e experimentações. Em uma das etapas, ele se juntou à escritora Marília Beatriz Figueiredo para colar suas criações pela cidade. O livro é resultado de sua relação com o leitor e o espaço.

 

“É um livro bem diferente do anterior porque nesse eu realmente me preocupei com o estudo de um conceito, estudando a construção de um manifesto enquanto passeava pelos principais manifestos do nosso tempo”, disse. 

 

O artista

 

Caio Augusto Ribeiro, 22 anos, também é autor dos livros Porão da Alma (clube dos autores, 2015) e Colecionador de Tempestades (Carlini & Caniato, 2017). É fundador do coletivo Teatro Laboratório Experimental, grupo de pesquisas em processos criativos para teatro. Divide seu tempo entre a escrita, o teatro, a faculdade de Ciências Sociais pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e o filho.

 

Confira alguns poemas exclusivos:

 

"MANIFESTO TERAPÊUTICO:

 

A carne fria

Mordida com selvageria

Pode ser terapia"

 

"MANIFESTO CONTRA OS MONSTROS DE FILME JAPONÊS:

A árvore

torta, velha

é ainda mais

bela

que o monstro arranha céu"

 

“MANIFESTO DO OLHO:

 

Um olhar é sempre um/

um toque/

quando me vejo refletido no teu olho/

corpos se tocam/

sem colidir”

 

 

 

 

 

 

Manifesto da Manifesta

 

 

 

Credito:
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Credito: Elizabeth Othon
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