Artigos Sábado, 09 de Julho de 2011, 12:42 - A | A

Sábado, 09 de Julho de 2011, 12h:42 - A | A

Na lama com Pagot

O chefe do Dnit que acaba de cair atende por Pagot. Só faltava se chamar Pagot Levot. Ontem (08), na Folha, ele disse que o PT era sócio das decisões que tomava e ameaçou arrastar o aliado para a lama (sem trocadilhos) se for muito contrariado

FERNANDO DE BARROS E SILVA

UOL

Muito antes de descobrir o potencial político de Tiririca, seu campeão de votos, o PR já havia revelado sua vocação humorística. Chamava-se Jacinto Lamas o tesoureiro do então PL. Era, na prática, o homem que fazia a entrega das malas de Marcos Valério aos nobres mensaleiros do partido.

O chefe do Dnit que acaba de cair atende por Pagot. Só faltava se chamar Pagot Levot. Ontem (08), na Folha, ele disse que o PT era sócio das decisões que tomava e ameaçou arrastar o aliado para a lama (sem trocadilhos) se for muito contrariado.

A ligação entre PR e PT é mais orgânica do que parece. Um exemplo local: o suplente da senadora Marta Suplicy é o vereador Antônio Carlos Rodrigues, o chefe do famigerado "centrão" na Câmara paulistana. Se a petista for disputar a prefeitura, o prócer do PR assume sua vaga.

Mas voltemos: Dilma Rousseff convidou Blairo Maggi (PR-MT) - o milionário padrinho de Pagot - para ocupar o lugar de Alfredo Nascimento. Recebeu um não como resposta. E Ideli Salvatti, a ministra da articulação que não existe, disse, para completar o vexame, que Nascimento tem, sim, todas as condições de "fazer sugestões, indicações, dar opinião" sobre o seu substituto. Que tipo de opinião a ministra espera de seu ex-colega? Seria uma questão de "know-how"?

Do PR já se sabe o que esperar. O partido não disfarça, inclusive, que não quer a manutenção do ministro interino no cargo. Apesar de filiado à legenda, Pedro Passos talvez seja ético demais para exercer a função.

Mas o que esperar de Dilma? Entre a intervenção moralizadora num dia e a capitulação logo a seguir diante dos mesmos personagens terá havido algum ganho republicano? Em português: haverá redução da roubança sistêmica ou apenas o aumento das chantagens da base aliada sobre o Planalto?

Dilma dá a impressão de que não tem força para enfrentar o problema no atacado nem habilidade política para lidar com ele no varejo. E está sufocada pela herança de Lula.

(*) FERNANDO DE BARROS E SILVA é jornalista, ex-editor do caderno Brasil da Folha, onde já foi crítico de TV e editor do Painel. É autor de "Chico Buarque" (Publifolha, 2004). Escreve a coluna São Paulo, seção Opinião da Folha. Publicado originalmente na edição de da Folha de S. Paulo de 09.07.

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