Artigos Quarta-feira, 13 de Julho de 2011, 15:44 - A | A

Quarta-feira, 13 de Julho de 2011, 15h:44 - A | A

Marketing e realidade

Pela lógica da política em Brasília, nem o novo ministro fará uma razia nos Transportes nem o PR deixará o governo. Assim como as melancias se acomodam na carroceria de um caminhão rumo à feira, todos encontrarão seus espaços em breve

FERNANDO RODRIGUES

 

UOL

 

Volto de férias e constato que o Partido da República está de novo envolvido em ações pouco republicanas.

Suspeitas de corrupção produziram a queda da cúpula do Ministério dos Transportes, uma capitania hereditária concedida ao PR. O donatário da sigla é Valdemar Costa Neto, um sobrevivente. Renunciou ao mandato de deputado em 2005, no auge do mensalão. Seria cassado. Escapou. Depois, voltou à Câmara em 2006 e 2010. Hoje, é a eminência parda de seu partido.

A presidente Dilma Rousseff nomeou Paulo Sérgio Passos ministro dos Transportes. Ao assumir, o novo titular prometeu "reajustes para limpar" a pasta. Impedirá a influência do poderoso Valdemar?

No Congresso, parte dos deputados e dos senadores do PR lamuriavam ontem pelos cantos. Faltaram a um almoço de líderes governistas. Justificaram com uma ironia tosca -estariam todos de regime.

Pela lógica da política em Brasília, nem o novo ministro fará uma razia nos Transportes nem o PR deixará o governo. Assim como as melancias se acomodam na carroceria de um caminhão rumo à feira, todos encontrarão seus espaços em breve. Continuarão a ir às compras, refestelando-se em licitações de estradas, pontes e viadutos.

Diante desse desfecho quase inevitável, fica uma dúvida sobre a real intenção pretendida pela presidente da República no episódio. Não está clara a fronteira entre o marketing e a realidade.

O Planalto age com destreza nesta crise. Dilma reforça a imagem de política firme, intolerante com atos de corrupção, a favor de uma profilaxia no setor de transportes. Afinal, cortou várias cabeças.

Mas há dúvida sobre o enquadramento dos 40 deputados (um número emblemático) e dos seis senadores do PR. Os tubos alimentando a fisiologia dessa legenda continuam ligados. Só nos próximos dias saberemos se Dilma irá, de fato, desconectá-los.

(*) FERNANDO RODRIGUES é jornalista da Sucursal de Brasília da Folha desde 1996, assina a coluna "Brasília", na página 2 do jornal, às quartas e sábados, e mantém uma página de política no UOL desde o ano 2000. E-mail: fernando.rodrigues@grupofolha.com.br

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