Domingo, 17 de Novembro de 2019, 07h:01

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A difícil posição do DEM – 2

Por: KLEBER LIMA*

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KLEBER LIMA


Na semana passada iniciei uma série de artigos para falar da relação dos partidos dos governantes com o poder, a partir da experiência atual do governador Mauro Mendes com o DEM. Era minha intenção falar de dois aspectos: 01) a construção (ou desconstrução) partidária no exercício do poder e 02) a intenção do partido governista nas eleições municipais do ano que vem. A repercussão que o primeiro artigo gerou, todavia, me força a insistir um pouco mais no primeiro aspecto.

Foram várias as pessoas que me mandaram suas contribuições, seja por whatsup ou por telefonema. Inclusive um importante líder do DEM me deu informações preciosas de como anda ruim o ambiente interno no partido que tem, por baixo, o governador de Estado, um senador, a prefeita da segunda maior cidade do Estado, e uma boa bancada de deputados estaduais.

Por razões obvias o líder em questão me pediu off na nossa conversa, mas deixou claro que os militantes históricos do DEM, que recepcionaram o então governador e seu grupo, egresso do PSB, se sentem alijados do governo e das decisões políticas que são tomadas tanto em nível de governo como em nível de partido. Não e sentem parte do processo, como eu descrevi que ocorrera no governo anterior de Pedro Taques.

Dante de Oliveira viveu algo semelhante no PDT. Uma divergência central com Leonel Brizola sobre a emenda da reeleição de Fernando Henrique Cardoso o fez perder a conexão com o PDT e a mudança de partido foi inevitável. Porém, no PSDB Dante foi um governador exemplar do ponto de vista da construção partidária e empoderamento do partido. Tanto, que quando ele titubeou em disputar a reeleição em 1998, foi o partido, liderado pelo saudoso Paulo Ronan e por Luiz Soares, que liderou um movimento de fora para dentro, do interior para a capital, intitulado “O Povo Pede Bis”, para convencer Dante a ir para a disputa. Acabou vencendo no primeiro turno depois de iniciar a campanha com menos de 20% das intenções de voto contra mais de 60% de Júlio Campos.

Mauro Mendes, porém, não tem a mesma cultura partidária. Embora tenha tido militância no movimento estudantil da UFMT, onde foi presidente do DCE, Mauro tem uma linha política pragmática, cartesiana como sua graduação em engenharia, e confia demasiadamente no seu feeling, no seu instinto político. Confia em pessoas (e poucas), e não em partidos. Por isso tem Fabio Garcia como presidente estadual do DEM, e Alberto Machado, o Beto Dois a Um, na presidência do diretório de Cuiabá. São pessoas da sua confiança. Ponto.

Após meu primeiro artigo da semana passada também especulou-se a mudança de partido pelo governador e seu grupo. Eu não duvida dessa possibilidade. Como já disse, para Mauro Mendes tanto faz o partido. Porém, não aposto nela. Não vejo sentido numa mudança agora, a menos que queira uma sigla sem expressão política apenas para não ter problema com conformação interna. Mesmo seu pragmatismo calculará que a mudança sairia mais cara que fazer um esforço mínimo para empoderar os irmãos Jaime e Júlio Campos (que arrastam os históricos consigo). Eles não aguentam uma cantada do governador para abraçarem o projeto.

A vantagem de ter um partido estruturado e com capilaridade como o DEM nas eleições do ano que vem é certamente o aspecto mais relevante de se permanecer onde está – já lhe disseram alguns de seus aliados (que também preferem falar apenas in off).

No próximo capítulo, enfim, falaremos sobre as eleições do ano que vem – inclusive na capital, onde Emanuel Pinheiro (MDB) hoje representa o oposto de Mauro Mendes, não apenas no sentido da disputa política, mas na sua relação política com os partidos e os políticos. Até lá e boa semana!

(*) KLEBER LIMA é Diretor de Jornalismo do HNT / HiperNotícias e escreve aos domingos. E-mail: kleberlima@terra.com.br

 
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